Olhinhos de Jabuticaba

Meu instinto maternal é, seguramente, dos mais aguçados que eu conheço, e isso foi algo que descobri quando eu tinha 11 anos de idade, e meu primo (quase que meu irmãozinho caçula – e hoje meu amigo AND padrinho de casamento) Kim nasceu.

Dois anos depois e eu virava professora de baby-class e baby-tap e de repente era uma das professora mais queridas entre as crianças da academia. E assim levei minha vida, amando estar rodeada de crianças ao longo de toda minha adolescência.

Aos 18 anos, desenvolvi um projeto social e passei a dar aulas de dança numa escola municipal perto de casa, tinha alunas entre 7 e 12 anos, e além de ser a professora, me tornei amiga delas, que hoje em dia são mulheres, e vem me adicionar no Orkut com um amoroso: “Oi, Prô, lembra de mim”. Me enchem de lágrimas quando vejo que uma é biomédica, a outra faz veterinária, algumas viraram dançarinas de axé (o.O), atendentes de telemarketing, balconistas na loja do bairro. Mas continuam tendo muito carinho por aquela professora que as amava tanto.

Aos 20 anos, nasceram as minhas amadíssimas primas Lana e Raíssa, e eu sempre fiquei com elas, desde os primeiros meses, estive ali nos momentos de na catapora, febres, gripes, e com quem, também, estive em muitos momentos deliciosos, no cinema, circo, teatro, parque. E meu coração se enchia de alegria cada vez que estava com elas, ou que meus pais me diziam que ligavam lá em casa e só queriam falar comigo. Ou então que chegavam em casa e eu não tava e elas diziam: “sem a Tayra, aqui não tem graça”. E quando eu saía com elas e me perguntavam se eram minhas filhas? Nossa, eu faltava morrer de orgulho.

Sempre tive a certeza de ter vindo a esse mundo pra ser mãe. Sempre. Sabia que era essa minha vocação. Sempre quis ganhar muito dinheiro antes dos 30 (FAIL!) pra poder engravidar e me aposentar, viver integralmente para os meus filhos. Até hoje não vejo a hora de poder contar ao mundo: “gente, tô grávida!”.

Ao passo desse meu instinto maternal tão latente, sempre gostei muitos dos gatos, cachorros, coelhos e chinchilas dos meus amigos. Amava fazer carinho, brincar, rir, me divertir com eles, mas, também devolvê-los, com toda a liberdade do mundo, nos momentos de limpar o cocô. E sempre falava a minha máxima: “limpar cocô é um ato de amor, e isso eu só vou fazer com os meus filhos”. E sempre fui muito reticente a ter bicho em casa por conta disso.

Mas eis que no começo do ano passado, depois de muita conversa, eu e o Thi decidimos que encararíamos essa empreitada e que teríamos um cachorro, no caso um bulldog (macho, que se chamaria Astolfinho desde o início dos planos). Eu sentia um certo receio [ai, meu Deus, vai dar tanto trabalho!]. E eis que, de repente, surgiu a Pepper em nossas vidas. E ela veio num momento providencial, tanto para mim, quanto para ele. E nunca vou arrumar palavras pra expressar o tamanho do bem que ela nos fez (e nos faz).

Como já disse antes, continuo achando que limpar cocô é um ato supremo de amor, mas eu agora faço, e, de fato, com todo o amor do mundo. Nunca pensei que seria capaz de amar tanto um cachorro. Ela tem canalizado todo esse meu instinto maternal guardado por 30 anos. Quando vem deitar no meu colo, parece que meu mundo para. A festa que ela faz quando eu chego é algo impagável. E quando ela me olha, cheia de amor e carinho, com seus olhinhos de jabuticaba, meu Deus, parece que não há mais nada e nem ninguém no mundo além de mim e ela.

E, enquanto eu não tenho filhos de sangue, vou conduzindo meu instinto maternal com minha filha canina que me deixa boba com cada nova doideirinha que apronta. =)

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
Esta entrada foi publicada em Felicidade Partilhada com as etiquetas , . ligação permanente.

2 respostas a Olhinhos de Jabuticaba

  1. ines diz:

    A Pepper é uma menina de muita sorte por ter vc como mãe e tenho certeza q ela vai ser uma ótima companheira pro “irmãozinho(a)” (nem preciso falar q agora sabendo dessa sua vontade vou fica figas mode on, tb pq ó experiência própria: filho único por muito tempo depois quando chega o irmão(ã) dá um trabalho… rsrsrsrs )
    bjooo

  2. Van diz:

    Coisa mais linda esse seu “depoimento”! Eu sinto a mesma coisa em relação aos meus três cachorros… Graças a eles eu consegui encarar de uma forma “menos triste” o falecimento da minha mãe. É por eles que eu vivo!!! :***

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s