Política nos tempos de marasmo

Eleição chegando e nem são as promessas furadas dos políticos o que mais incomodam nessa época, mas o que me tira do sério é o festival de e-mails pró-Dilma e pró-Serra, cada um querendo mostrar os podres do outro e ressaltar seus próprios louros. E, sério, alguém tem peito pra levantar e me dizer por que um é realmente diferente do outro?! Digo isso porque sempre fui interessada em política e sempre participei ativamente do cenário político do momento. Só que esse ano tá me deixando tão sem tesão, tão sem esperança e fé. Até o momento, meu voto é da Marina, mas eu ainda rezava pra que Cristovam Buarque se candidatasse, pois teria meu voto e meu empenho em campanha. Porém, já estou me conformando que isso não acontecerá, que terei de votar na Marina no primeiro turno e tomar muito engov antes de apertar o confirma no segundo turno, seja lá em quem eu optar votar. Tá osso!!!

Eu sou filha de presos políticos e respiro política desde que comecei a engatinhar: com 3 anos estava indo de cavalinho com meu pai nas passeatas das “Diretas, já!”; com 13 estava vestida de preto pedindo o Impeachment do Collor; sonhava com o meu aniversário de 16 anos só para poder votar (tirei o título no dia do meu 16º aniversário, mesmo não sendo ano eleitoral); ingressei na faculdade de História apaixonada por esse mundo; fiz um documentário sobre Marighella como tema do meu TCC de jornalismo; e sou inegavelmente uma pessoa de esquerda com tendências socialistas e que de verdade acredita num mundo mais igualitário e mais justo. Mas sou de esquerda no sentido mais puro da palavra e não de esquerda no sentido em que a esquerda desse país se tornou.

E por conta disso tudo, eu acho simplesmete um absurdo pessoas que dizem não gostar e não se importar com política. Nossa vida é política, o bombom que comemos está repleto de política, a roupa que vestimos é política pura. Por isso não há como fingir que a coisa não é com você. E, estamos num momento de liberdade de expressão, onde cada um pode mostrar o que quer, o que pensa (e, claro, aguentar os trancos decorrentes disso! =D). E não sou nem um pouco intolerante, já tive ótimas conversas com pessoas de direita – mas gente que tem embasamento para ser de direita, e que sabe defender seus ideais.

Agora ser porque é, não existe. Não consigo respeitar alguém que fala: “ah, eu gosto do Maluf, porque ele rouba, mas faz!”. Ou então: “eu gosto do Vargas porque minha vó tinha um retrato dele na parede”. Acho que cada um tem seu direito de ter sua tendência política, mas acho que o mínimo é que você vá atrás de estudar, de conhecer melhor as coisas, antes de idolatrar uma pessoa ou um ideal. Gente, não dá pra engolir tudo que te dizem. É preciso ir atrás, saber mais, conhecer de fato, antes de tomar partido. Isso é extremamente necessário…

Falo isso com uma faculdade de História e uma caralhada de livros no currículo, que me fizeram perceber que eu, de fato, concordo com os ideais dos meus pais, mas, ainda assim, discordo de muitas coisas com as quais eles concordam. Somos todos de esquerda, mas com maneiras muito diferentes de encarar o mundo. Cresci tendo como ídolos Che Guevara, Fidel Castro, Lamarca, Marighella, Prestes, Lênin, Marx. E a faculdade de história me ensinou coisas da vida deles que eu jamais imaginava, e acabou tirando Prestes e Fidel Castro dessa lista. Li sobre a infância deles, e me surpreendi tanto com milhares de coisas que eu não sabia, e que na idolatria dos meus pais, eles nunca trouxeram até mim.

Assim como acabei desenvolvendo um grande respeito por dois caras super de direita (não admiro, que fique bem claro, mas respeito, é fato): Delfim Neto e Erasmo Dias (que faleceu recentemente). São dois caras que sempre foram apaixonados pela sua visão de direita e que conseguiram muito bem expressar a coisa toda, quase a ponto de te convencer. Não ficavam de blá-blá-blá vazio, mostram que acreditavam nessa corrente por isso, isso e mais isso, e não ficam apenas vomitando discursos prontos.

É claro que nossos pais serão sempre ídolos e modelos para gente, mas chega uma fase da vida que a gente percebe que nem tudo que eles falam é exatamente daquele jeito. Não dá pra ser reaça e bater no peito defendendo pena de morte, liberação das armas e tantas outras coisas tão sérias, só porque papai e mamãe falaram que era certo. Afinal de contas eles também nos falaram que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa existiam.

Que fique claro que não estou querendo impor meu ponto de vista aqui e sim chamar vocês a razão, mostrar que é importante pensar e refletir antes de comprar a briga por um ideal. Ainda que, em tempos como os nossos, fique complicado tecer o mínimo de paixão por qualquer que seja a nossa visão política.

Mas, como eu disse ontem no meu post do Silêncio e Som, eu tenho fé na humanidade. =)

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
Esta entrada foi publicada em Desabafinho com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s