TOP 5: Livros

Eu odeio gente que fica master se gabando de ser criança prodígio, por isso vou pular números exatos, até porque vão achar que tô forçando a barra. Mas bom, eu comecei a ler muito cedo, e como filha de um jornalista com uma professora, é meio que óbvio que eu seria uma apaixonada pelos livros. E desde sempre fui uma viciada por leitura. Sério, eu leio até bula de remédio. Já me peguei lendo rótulo de Pinho Sol porque não tinha nada mais aprazível ao meu alcance, sente o drama… Hoje até a Bruna me mandou um texto que eu postei aqui que é muito um retrato meu. =)

Por isso acabei resolvendo fazer esse TOP5 de uma das minhas maiores paixões. Já fiz em 2001 uma tentativa de listar os livros que li na vida, porque um professor me perguntou quantos livros eu já tinha lido até aquele momento, e eu disse que não sabia. Ele retrucou que essa era uma resposta de quem ou lia muito pouco, ou lia muito de fato, e que eu devia ter um número estimado. Aí, quando eu disse que perto de uns 500, ele duvidou. Mas, pô, só no ano do vestibular foram mais de 60, li a coleção completa do Monteiro Lobato na infância, a maioria dos clássicos da Literatura Brasileira, quase todos os livros de Jorge Amado, fiz faculdade de História e lia uma média de 9 livros por semana etc. etc. etc. – parei com a listagem aquela época perto dos 450. Hoje tento fazer o mesmo no Skoob, ainda que, muitos dos livros que li não estejam listados lá. E no fundo, pouco me importa o tanto de livros que li, isso é um mero detalhe. Ler é uma verdadeira paixão. Na verdade, acho que é até mais, chega a ser um vício, pois nunca consigo ficar sem estar com um livro sendo devorado.

É algo quase como respirar e faz um bem danado. Amplia horizontes e te faz ser um ser humano menos limitado. E ainda que eu tenha taaaaaaaaaaantos outros livros que eu amo, como por exemplo As Meninas e Ciranda de Pedra, ambos de Lygia Fagundes Telles, além de gostar muito dos livros do Jô Soares, ser master fã de todos os livros do Rubem Fonseca, de toda a obra de Jostein Gaarder, Ruy Castro, Gabriel García Marquez, José Saramago e Fernando Morais – isso sem falar que sempre vou ao delírio com os sonetos de Florbela Espanca (minha poetisa predileta) – ainda assim, não foi difícil listar esse meu TOP5, que tem cinco livros que acabaram marcando minha vida, como ser humano e como leitora. Cada um deles colaborou à sua maneira para a formação do meu caráter e personalidade.

Vamos à lista:

1 – O dia do Curinga (Jostein Gaarder)

Um livro que já li e reli umas cinco vezes e que faz com que a gente reflita um pouco sobre a nossa real postura diante do mundo. É a história de um menino e de seu pai, que vão atrás da mãe/esposa que os abandonou há oito anos. Paralelo a isso corre uma outra história – meio no estilo de O Mundo de Sofia (que por sinal é do mesmo autor) – e mostra a história de uma ilha habitada por cartas de baralho: cada uma equivalente a uma semana do ano. Sendo que o Curinga era o representante do dia 29 de fevereiro e só dava as caras na ilha a cada quatro anos. E o menino era nascido justamente nesse dia.

No fim é uma espécie de uma reflexão de como podemos ser o ser único e fazer alguma espécie de diferença nessa vida. E eu me senti como uma curinga, disposta a ter algum papel relevante nessa vida, e passei a ter esse livro como um “guia de vida”.

2- Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos (Rubem Fonseca)

Esse é um verdadeiro tapa na cara naqueles que dizem que leitura obrigatório entra “por um ouvido e sai pelo outro”, que a gente lê sem desenvolver nenhum tipo de paixão e interesse pelo livro, e que acabamos não absorvendo nada. A primeira vez que me deparei com Vastas emoções… foi em 1995, quando prestei meu primeiro vestibular na Cásper Líbero e ele fazia parte da lista de livros obrigatórios. Como leitora compulsiva que sou, comprei todos os livros que não tinha e fui saboreando um a um. E foi paixão à primeira leitura: as pedras preciosas, o filme, o manuscrito de Bábel. Tudo no livro parecia me prender a ele. E esse é outro que faz parte da minha leitura anual. Desde 1995 (lá se vão 15 anos), não há um ano em que eu não o pegue para poder relê-lo. E a cada vez a paixão e a empolgação por ele se renovam.

E a partir desse livro me tornei uma apaixonada pela obra de Rubem Fonseca e fui atrás de buscar vários outros romances escritos por ele, e é incrível como o estilo dele me cativa e todos os livros exerce enorme fascínio sobre mim: A Grande Arte, Agosto, O Caso Morel, Bufo & Spallanzani… Passou a figurar pra sempre na minha lista de autores prediletos.

3 – Eu sou o Mensageiro (Markus Zusak)

É o que entrou mais recentemente na lista. É do mesmo autor do celebradíssimo (e lindo) A Menina que Roubava Livros, mas muito melhor do que seu “irmão” famoso. Conta a história de um cara que é forçado a ter um papel ativo diante da vida depois de receber cartas anônimas. E tem pra mim um significado bem próximo de O Dia do Curinga, uma vez que esfrega na nossa cara que cabe apenas a nós abrir os olhos e tomar uma postura de agente para o mundo e que não vale a pena ficar no mundo como espectador. Uma leitura leve e cativante que nos custa no máximo dois dias e da qual você jamais se arrependerá.

4 – Dom Casmurro (Machado de Assis)

O clássico dos clássicos escrito pelo autor dos autores. Não há quem não conheça, não tenha ouvido falar, não tenha sido obrigado a ler pela professora. Mesmo assim, muita gente roubou o resumo do amigo pra nem ter que chegar perto de suas páginas. E nem sabe a besteira que fez e nem o que perdeu. Um dos melhores livros que tive o prazer de ler na vida. Uma das tramas mais intrigantes e por mais que cada um construa sua opinião, nunca ninguém pode chegar a uma conclusão concreta. Se você me provar que a Capitu traiu, te mostro N motivos pra acreditar que é tudo coisa da cabeça do Bentinho. Se provar que não traiu, te dou outros N motivos provando o contrário. Um livro que depois de mais de 100 anos de escrito continua levantando debates, teses e paixões.

Não há como um ser vivente no Brasil dizer que gosta de ler e nunca ter colocado seus olhos em Dom Casmurro, é uma verdadeira Bíblia dos leitores compulsivos e não poderia deixar de estar aqui. Se você ainda não leu, não sabe o que está perdendo…

Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)

Nossa, acho que esse livro já li mais de 10 vezes, a primeira em 1994, quando a Globo exibiu a minissérie, e eu acabei ganhando o romance como presente de 15 anos da Marilda, uma amigona da minha mãe (que é quase como se fosse minha tia). Pronto, foi ler e apaixonar. A heroína que ficou incrível na pele de Glória Pires consegue ser ainda mais apaixonante nas páginas de Rachel de Queiroz.

O livro era tão constante, lia ao menos uma vez por ano, que meu irmão já tinha dado um apelido pro livro e dizia: “já tá lendo MêdeMáMô de novo?!” – hehehe.

Um clássico da nossa literatura escrito no século XX, por uma mulher fantástica, relatando a história de uma mulher mais fantástica ainda, que enfrentou uma sociedade machista e paternalista e se tornou uma líder, temida e respeitada por onde passava. Além disso a história é costurada com muitas tramas paralelas que são tão cativantes quanto a principal. Leitura obrigatória para qualquer um que aprecie Literatura Brasileira.

*****************
Menção Honrosa para Tuc Tuc de Paula Saldanha, que li aos 6 anos de idade e me lembro de ter sido o primeiro livro que demorei mais de um dia pra ler – hehehe. E claro, para todos os infantis do Ziraldo, que tem uma imensa parcela de culpa por eu me tornar essa leitora voraz e compulsiva. :)

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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4 respostas a TOP 5: Livros

  1. Andréia Wippich diz:

    Nossa, agora sim acabei de virar mais sua fã ainda…
    Eu realmente amo ler tbm, mas não cheguei nem perto de vc ainda, claro se deve ao fato que aprendi gostar mto tarde mas estou tentando sempre estar com um livro não.

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