Das agruras de se viver em sociedade

Estou chocada, magoada, ferida, chateadíssima e me sentindo muito mal.

De começo, preciso fazer uma reclamação que é uma constatação de vida: moradores que são proprietários de imóveis tem muito preconceito e má vontade com moradores que são inquilinos; pessoas mais velhas tem muito preconceito com pessoas mais novas, pois já tem pra si que os mais jovens são barulhentos, mesmo que não seja verdade; e quando você mora de aluguel e é bem mais jovem que a média dos outros moradores, acaba sofrendo duplo preconceito.

Eu sei que já tinha comentado no Twitter, mas não tinha falado nada a respeito por aqui. Mas há pouco mais de 1 mês, meu vizinho de porta foi se queixar ao síndico da Pepper. Aconteceu um incidente, e ele tinha todo o direito de reclamar. A Francisca saiu para levar o lixo até a lixeira e deixou a porta aberta. Nisso, ao ouvir barulho de porta abrindo, a Pepper veio ver o que tava rolando. Na mesma hora, meu vizinho estava saindo de casa e a Pepper latiu pra ele, nisso Francisca já veio, pegou ela e botou pra dentro e pediu desculpas ao vizinho. Segundo a própria Francisca, a esposa aceitou as desculpas, mas o meu vizinho não. E ainda ficou questionando a respeito de várias coisas, inclusive perguntou sobre onde eram colocadas as fezes da cachorra e a Francisca respondeu (em coro com a mulher do cara) que cocô de cachorro é jogado na privada.

No mesmo dia, como era de se esperar, ele prestou queixa. A questão é que ele supra dimensionou tudo: disse que foi atacado pela Pepper, que eu deposito as fezes diretamente no latão e que isso torna o cheiro do andar insuportável, que eu passeio com elas sem guia pelo condomínio e que elas latem o tempo todo e que o barulho é insuportável.

Agora, tirando ele ter sido “atacado”, que eu nem julgo, porque pra quem tem medo, às vezes um mero latido pode ser interpretado como ataque, todo o resto é a mentira mais deslavada. Pra começar que eu não sou porca para depositar o cocô do cachorro no latão. Nunca saí de casa com elas sem guia, e para isso tenho todas as câmeras do condomínio do meu lado, para provar que isso é mentira. E o principal, eu tenho uma bulldog, que é um dos cachorros mais silenciosos do mundo. A Pepper late muito pouco e, do pouco que late, sempre leva um esculeba do Thiago, que odeia muito barulho. Ela sempre dá uns dois ou três latidos quando o vizinho entra ou sai, que eu repreendo, mas entendo, porque, com certeza, na cabeça dela é gente estranha invadindo a área dela. E é muito mais um latido pra nos alertar do que um latido de ataque.

Recebemos a reclamação, eu expliquei tudo o que houve para o síndico e disse que o vizinho tinha toda razão para reclamar do “ataque”, mas que todas as outras afirmações não eram verdadeiras. O síndico é uma pessoa muito correta e centrada e levou tudo numa boa. E eu comecei a repreender mais ainda a Pepper em relação a esses latidos quando o vizinho chega e as coisas pareciam estar caminhando bem.

Ontem eu tomei elevador com o mesmo vizinho, que disse que queria conhecer minhas cachorras, fazer amizade com elas, porque sempre que ele chega a Pepper late (dois latidos, mas late). E eu expliquei pra ele que como antes morávamos em casa, ela estranha ter gente parada à nossa porta e late para nos alertar. E ele pareceu ser compreensivo e disse: ‘ah, então é isso…’. Até comentei com o Thi e disse que ele parecia disposto a fazer a política da boa vizinhança e eu ainda disse que achava ótimo, afinal, a pior coisa é ter problemas com vizinhos. Pois eles estão ali, ao seu lado e, se quiserem, podem tornar a nossa vida um inferno. Fiquei tão aliviada e tive certeza de que tudo estava se acertando e que teria o melhor relacionamento possível com o meu vizinho.

Aí que hoje, passado menos de 24 horas dessa conversa amistosa, Pepper late, eu a chamo – como sempre faço e em seguida minha porta começa a ser golpeada. E aí, obviamente ela late novamente. Os golpes continuam e eu vou verificar o que estava acontecendo, e me deparo com o vizinho encolerizado, gritando comigo: ‘isso aí é uma casa ou um canil? Vou dar queixa de você, não posso mais receber visitas que elas atacam e avançam?’.

E entrou na casa dele e bateu a porta e me deixou ali atônita, sem reação e nem mesmo tempo de responder. Estava tão em choque que mal conseguia falar quando fechei a porta do meu apartamento. Quando caí em mim comecei a chorar. Interfonei pra saber se por um acaso os halls dos andares tinham câmeras, mas o porteiro me disse que somente nos elevadores e nas áreas comuns. O Thi estava indignado, com a situação inteira e com o estado em que eu estava e desceu pra registrar queixa no livro de reclamações do condomínio.

Tem horas que parece que o simples fato de você ter cachorros é um crime. Além do mais, quem conhece a Pepper sabe o quanto ela é dócil e educada, e nem estou me gabando não, ela é mesmo, e sempre é elogiada por isso por todos os visitantes da minha casa, pelos veterinários, pelos funcionários que dão banho nela no pet-shop. Não sou daqueles donos que criam uma fera e acreditam que tem um docinho em casa. Ela é um bulldog, um cão que já tem temperamento dócil e tranquilo.

Só me sinto muito triste porque, bem ou mal, isso inviabiliza qualquer tipo de relacionamento amigável entre a gente e os moradores da frente. Mas estou abismada com a capacidade dele de ser intransigente e grosseiro. O curioso é que, ao passo que o mundo está se abrindo cada vez mais para que pessoas e animais possam circular tranquilamente por aí, meu vizinho parece ter parado na década de 20, quando nasceu, e acha que cachorro é bicho inferior, pra ficar, no máximo, no quintal da casa, sem jamais cruzar a porta. Uma pena! Ele está perdendo a chance de ter duas grandes amigas, pois Pepper e Amélie adorariam ampliar seu leque de amizades…

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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10 respostas a Das agruras de se viver em sociedade

  1. Xellyta diz:

    Que absurdo!
    Nossa, Tay, tô passada com essa situação…
    O que posso dizer é que, infelizmente, existem pessoas assim mesmo e, querendo ou não, um dia iremos cruzar o caminho um do outro…
    Realmente ele não sabe o que está perdendo em não querer ser amigo da Pepper e da Amélie!

    Bjos, amora!

  2. Danton diz:

    Que absurdo! O máximo que a pepper faz é devorar a sua mão e deixa-la babada! Infelizmente existem pessoas que não sabem viver em sociedade, seu zinho não tinha qualquer direito de fazer isso!

    • t4yra diz:

      Pois é, da primeira vez, apesar de achar exagerado, já que pra reforçar a queixa real, ele inventou um monte de outras, ele tinha razão e fundamento em dizer que foi “atacado”.

      Agora, dessa vez ele foi grosseiro e desrespeitoso, eu me senti moralmente agredida e fico pensando que, se eu engravidar ele vai dar queixa se o bebê chorar… =P

  3. Andréia Wippich diz:

    Fiquei indiginada com essa situação, mas de outra forma, outro problemas, passamos por algo parecido.
    A dissimulação desses infelizes é algo que não sabemos nem como agir né…
    Na verdade as vezes o que podemos tirar dessas situações é que há pessoas que simplesmente não conseguem ver que outras pessoas são melhores o bastante para conviverem de um modo civilizado…

  4. Seu vizinho é no mínimo um perturbado, né?
    Pra que tanto drama por causa de um ou dois latidos, fala sério!
    Esse é o lado ruim de ter vizinhos, às vezes eles agem como se tivessem 5 anos de idade e infernizam a sua vida até não poder mais.
    Meu conselho: não dá bola, tenta ignorar… a não ser que ele perturbe demais tipo ofender vocês ou acabar quebrando a porta!
    Aí já é caso de polícia, não? :/
    Beijo!

  5. Suuu diz:

    Que gente absurda! Me da ódio esse povo. Parece que a vida deles é tão sem sentido que eles ficam buscando sarna pra se coçar.

    Ódio!

  6. Vanessinha diz:

    Pera aí que eu vou ali comprar uma coleira pra colocar no animal do seu vizinho…

  7. Vanessinha diz:

    Ó aí, meu namorado advogado comentando primeiro! Qqr coisa estaremos às ordens

  8. Pingback: O segundo post do ano – 366/02 | Teia de Renda

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