Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor… (mas só na hora de cantar, né!)

Esse tipo de queixa tá virando um tema recorrente aqui no meu blog, mas, fazer o que, esse é um espaço que criei para desabafar minhas satisfações e minhas descontentações com a vida e com o mundo. E eis que se é algo que me aperta tanto o calo e é comportamento tão recorrente nas pessoas, fazer o quê?! Lá vou escrever de novo uma variação sobre o mesmo tema… =P

Não adianta, eu sempre me incomodei com gente que viaja pro exterior e fica deslumbrado e volta falando que lá fora tudo é lindo, maravilhoso, perfeito, e que no Brasil tudo é uma porcaria. Acho essa postura o cúmulo do suburbanismo. É típico de quem não tem senso de patriotismo. E curiosamente, são esses os mais exaltados em época de Copa do Mundo e forram a casa com tudo que acham de verde e amarelo.

Eu sou uma pessoa profundamente ufanista, tenho paixão pelo Brasil, e por todo esse amor que sinto pelo meu país, é que eu vejo o tanto de coisa errada que há por aqui e com cada uma das minhas atitudes vou tentando modificar aquilo que acho que está falho. Mas vejo neguinho indo fazer intercâmbio e voltar fazendo pouco do seu país, virar um babaca que fala tudo em língua estrangeira e sonhando em ir morar fora, nem que seja pra lavar louça em hotel. Acho isso triste e deplorável.

Sabe, eu sou o resultado de esforços dos meus pais e meus para me transformar naquilo que sou hoje, sou a soma de toda a bagagem que acumulei, de todas as escolas por onde passei, dos cursos de língua que fiz, de tudo quanto é curso extra-curricular que fui fazendo para agregar mais coisas ao meu currículo, dos tantos anos dedicados à dança. E isso fez de mim a pessoa com a personalidade, os gostos e as particularidades que tenho. E eu, mesmo tendo uma rotinaa que não é moleza, tendo que trabalhar muito pra poder arcar com os confortos que optei para a mim, sou muito satisfeita com a vida que levo aqui. E, em hipótese alguma, cogitaria trocar isso por um salário um pouco maior que viesse em dólares ou em euros. E olha que eu amo viajar. Tem tanto lugar que eu não conheço e quero conhecer, tanta coisa que quero fazer. Mesmo assim, eu nunca cogitei viver fora do Brasil. (talvez fazer algum curso, mestrado, por tempo determinado e voltar – mas ir pra ficar, jamais…)

E fico chocada por ver gente que tem faculdade, milhares de cursos no currículo, estar super diposta a sair daqui pra virar babá, bar-man, faxineiro, lavador de louça, em nome de uma qualidade de vida “melhor”. Mas será mesmo que é melhor você ter uma quantidade razoável de euros em sua conta bancária e ter que lavar banheiro com chão todo mijado?! Desculpa, mas eu, Tayra, não consigo ver felicidade alguma nisso. Eu me proponho a trabalhar um pouco mais pra poder bancar uma faxineira que lave o banheiro da minha casa, porque sairia daqui pra lavar banheiro dos outros se não faço isso por aqui?

O pior é que gente que sai daqui pra ter sub-emprego fora do Brasil não é exceção não, tem de baciada… Aí vai, fica falando mal daqui, diz que o Brasil é violento, corrupto, blá-blá-blá. Mas aí resolve fazer Brazilian Day, porque, né: ‘ah, eu amo o meu país!’. Hipocrisia tão profunda. Tá lá se sujeitando porque quis, ninguém obrigou.

Aí, volta, maravilhado, falando inglês (pode ser francês, alemão, espanhol, italiano, grego, dinamarquês ou qualquer outro idioma) e passa a usar essa língua em tudo quanto é rede social, porque acha que é chique. E aí fica contando suas “proezas”: que abasteceu e saiu sem pagar, já que nos EUA não tem frentista; que roubou souvenir de hotel; que fingiu que tinha pulseirinha vip em determinada balada. E ainda ressalta: gringo é educado, respeitas as regras, lá fora tudo funciona, mas se você vir alguém fazendo merda, pode ter certeza que é brasileiro. (vale lembrar que ele é o primeiro a fazer lá fora todas as merdas que ele considera um absurdo no comportamento brasileiro. Aquilo que esse tipo de gente popularizou com o nome de “jeitinho brasileiro”)

Sei que escrever isso aqui não vai mudar nada, mas vale o desabafo. Afinal de contas, isso me incomoda. É a galera que é super patriota quando acha bacana: Copa do Mundo, Olimpíadas, Fórmula 1 (mas cabe um adendo, só se ganhar alguma coisa, ok!); quando algum brasileiro faz qualquer coisa de destaque: é indicado ao Oscar ou algum outro prêmio importante do cinema, vira astronauta de alguma viagem espacial, vira a top-model mais famosa do mundo e por aí vai. É aquele que se veste de verde e amarelo primeiro, mas também é o primeiro a arrancar a farda em caso de derrota e falar mal do País sempre que tiver oportunidade.

É gente que fura fila, anda pelo acostamento, molha a mão do guarda, pega nota de valor mais alto pra apresentar pra empresa quando bancam o seu almoço. E o mais interessante é que eles acham que não há nada demais nisso. É também o tipo de gente que é o primeiro a apontar o dedo pra acusar algum político de corrupto, mas que fala: se bem que, se eu tivesse lá, eu faria a mesma coisa. Ou seja, é gente que nem pensa pra abrir a boca, porque tudo que faz contradiz o seu discurso o tempo todo. Resumindo: é gente que me dá pena e ao mesmo tempo asco!

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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