Eu, Maria Mariana e as feministas

Sabe quando você decide escrever um texto, botar pra fora seus sentimentos e opiniões e desde antes de começar a digitar cada palavra já sabe o quanto isso vai ser chocante, impactante e o quanto as pessoas vão te achar doida, careta, atrasada, reacionária? Pois bem, isso está acontecendo há mais ou menos uma semana, quando decidi escrever esse texto – e não o fiz antes por absoluta falta de tempo.

Há mais ou menos dois anos, uma entrevista da Maria Mariana para a TPM deu muito o que falar, principalmente entre as feministas. E desde aquela época, no Twitter, eu me posicionei um pouco a respeito, o quanto eu entendia a opinião dela, e também o quanto eu concordava com muita coisa que tinha sido dita. Mas não dá nunca pra se alongar muito em alguma questão séria em 140 caracteres. Maria Mariana, foi uma grande ícone da minha geração, e uma espécie de espelho pra mim, que primeiro assisti à peça que ela escreveu e interpretou, lá no longínquo ano de 1992, depois, no ano seguinte, devorei o livro, também de sua autoria e em 94, no auge dos meus 15 anos, virei uma viciada na série Confissões de Adolescente, homônima e baseada na peça e no livro – tanto que ganhei o box de DVDs de presente de Natal do Thi, logo que começamos a namorar. Sempre fui uma grande admiradora do trabalho dela – apesar de detestar a Diana (personagem que ela interpretava na série). Depois desse boom de Confissões, ela deu uma sumida, até que em 2006 a vi de volta às telas, interpretando a mãe no magnífico seriado Um Menino Muito Maluquinho, baseado no livro de Ziraldo. E depois disso nada mais, até vê-la novamente nessa matéria da TPM em 2009, quando constatei que ela continua muito digna da minha admiração. E nem é que eu concorde com tudo que ela disse, mas, no lugar dela, com a condição que ela tem, eu não teria feito uma escolha diferente, sabe. O caminho trilhado teria sido bem similar. (aconselho lerem a entrevista que linkei no começo desse parágrafo)

Uma vez, isso já tem um tempinho, conversando com a minha tia Eliana, comentei da minha vontade de ter filhos e de ser mãe integralmente e de quanto eu queria que o Thi estivesse bem de vida para que eu pudesse me dedicar apenas a esse papel, de criar meus filhos de perto, sem ter que sair pra trabalhar e deixá-los a mercê de outras pessoas. E ela ficou chocada e disse que duvidava que eu fosse capaz, porque eu sempre fui tão determinada, batalhadora, trabalho desde os 14 anos. Ela acha que eu não vou conseguir ser mãe. Isso por enquanto é apenas um sonho, eu nem sei se será possível, porque por enquanto eu preciso trabalhar, minha renda contribui muito para o padrão de vida que levamos e é extremamente necessário que eu tenha uma ocupação rentável. Mas eu acharia fantástico, mesmo, que eu pudesse estar ao lado dos meus filhos em seus primeiros anos de vida e acompanhar de perto cada mudancinha que fosse acontecendo, quando tudo é descoberta, quando cada ato representa uma mudança imensa.

Acima de qualquer sonho profissional, eu tenho esse sonho de ser mãe e de criar seres humanos de caráter forte e íntegro e não acho isso menor do que ser jornalista, bailarina, ou mesmo, administradora (que é, basicamente, o que faço hoje). Acho digníssimo e importantíssimo. Sempre fico falando que, caso eu ainda esteja trabalhando quando o meu primeiro filho nascer, que eu já sinto previamente a dor que vai ser de ter de abandoná-lo depois de passados os 4 (ou 6) meses da licença maternidade. Nossa, deve ser uma dor tão profunda! Pra mãe e pro bebê. E, sinceramente, se eu tivesse opção, seguramente optaria por não passar por isso.

E antes que comece o blablablá feminista, eu acho fantástico cada conquista que tivemos até hoje e, principalmente, termos opções, pra que cada mulher faça o que quiser da vida. E eu acho que essa é a grande conquista, apesar de ter muita gente que não enxerga isso. O legal é que se uma mulher quiser ser presidente de uma empresa, se ela batalhar por isso, ela pode. Agora se uma optar por ser dona-de-casa, qual é o problema? Eu acho que tudo e todos merecem respeito e merecem ter o direito de escolher o que querem pra sua vida, desde a opção sexual até o rumo profissional (ou não) que queiram dar pra sua vida.

Acho um absurdo o mundo achincalhar a Maria Mariana porque ela optou por largar tudo e virar mãe. E acho que reacionário é quem critica a atitude, afinal de contas, reacionário é quem não tem a mente aberta e ter a mente aberta significa estar disposto a aceitar diferentes opiniões e posturas diante da vida. Tenho amigas que optaram por se dedicar apenas à suas carreiras e decidiram que não querem ter filhos. Eu já não consigo conceber minha vida sem herdeiros no futuro. Essa sou eu. Agora, quem tá certa? Eu, que quero ter filhos mais que tudo ou as que optaram por se dedicar apenas às suas carreiras? E a resposta é: ninguém tá errada, cada uma escolheu seu caminho e ponto. E isso é que é o bonito dos dias de hoje. Aceitar o divergente é muito importante e, acima de tudo, nobre.

E concordem vocês ou não, vou continuar com esse sonho de ser mãe em tempo integral e, curiosamente, muito antes de saber que a Maria Mariana tem quatro filhos, eu já tinha essa utopia (e essa, muito provavelmente, não vai se concretizar – hehehe).

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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13 respostas a Eu, Maria Mariana e as feministas

  1. Olá :) Tenho 21 anos e sou mãe, e optei por ficar com meu filho em casa até ele completar 3 anos e aí sim vou voltar a trabalhar. Acho importantíssimo ficar com ele nesses primeiros anos. Sinto uma pressão muito grande das pessoas, e como eu sou nova, dizem que estou perdendo minha vida, que filho não é pra sempre e etc. Mas eu AMO ficar com ele, brincar cheirar, ficar curtinho “fazer nada” com ele, vê-lo crescer é demais. Porém o que eu não concordei da entrevista da Maria Mariana, é que ela diz que a mulher deve submissa, e isso eu não concordo, e acredito que você também não. Por que mesmo eu não trabalhado eu não sou submissa ao meu marido, não preciso cuidar dele como vi minha mãe fazer pelo meu pai, separar roupa, colocar a comida no prato e etc .. Isso no meu relacionamento não rola, cuidar eu cuido do meu filho e ponto :) Nasci pra ser mãe, sempre foi meu grande sonho, e acho que não ia me sentir bem largando meu filho em casa com babá.

    • t4yra diz:

      Patrícia eu concordo com você. Também não concordo com o lance de parto normal ser merecimento. Não concordo com várias coisas que foram ditas, porém, não julgo. Acho que foi uma questão de escolha. Ela tinha uma profissão e era muito bem sucedida nela, mas optou por ser mãe e dona de casa. Não julgo mesmo e acho que o grande barato é isso, você poder ser o que quer.

      O meu grande desejo é o de ser mãe mesmo, até porque, não tenho talento algum pra dona de casa – hehehe. Mas pros meus filhos, eu quero estar ali pra tudo que eles precisarem enquanto eu puder e não quero ser julgada por isso. E é nisso que eu concordo e admirei o peito dela em enfrentar esse preconceito. =)

      • Sim também admiro por esse fato, por que na nossa sociedade, essa decisão, agora é vista com preconceito. Uma mulher não pode ser feliz, sendo “apenas” mãe. Eu sou, e muito. As pessoas me chamam de doida por essa e muitas outras escolhas, mas é isso não ligo nem um tantinho pro que falam. Me chamam de índia por que amamento meu filho de 18 meses, de hippie por que não sou adepta da alopatia, de natureba por que não dou doce e nem nada industrializado pro filhote … Enfim, o julamento é grande, mas eu vou levando e bancando minhas escolhas rs!
        Ps.: Gosto muito dos seus textos, mas nunca tinha parado para comentar rs. Acompanho você há muiiiiiito tempo desde que eu era pirralhinha rss. Parabéns ttratratrabalho !!!

  2. O final era pra ser “Parabéns pelo seu trabalho”, mas meu filho quis dar a contribuição dele no comentário e saiu isso aí !! rss

  3. t4yra diz:

    Tnx pelo carinho!!! =)

    Então, eu fui criada em homeopatia e até os meus 21 anos de idade nunca tinha colocado um remédio alopático na boca e tenho consciência que isso tem muita influência na minha perda de saúde e no desequilíbrio hormonal que adquiri aos 26 anos. E minha mãe nunca deu açúcar pra gente, nossos doces eram frutas, mel, quando muito um arroz caramelado (que vende em farmácia homeopática, sabe!) e quero muito repetir essas experiências com os meus filhos, porque acho que elas foram muito válidas pra mim.

    Parabéns pela opção e pela força de bancá-la, mesmo com todo o preconceito que existe em torno disso.

    • Já eu fui criada com muitos docinhos “normais” para crianças e remedinhos, pergunto para minha mãe o por quê e ela diz que “por que todo mundo dava” rss enfiiim. Mas fui amamentada até os 3 anos e meio (a média do Brasil são 2 meses) e isso faz muita diferença também. Infelizmente, não é todo mundo que se informa e conseguem bancar essas opções.
      E o que eu acho engraçado é que as pessoas acham que eu faço o que faço com base de achismos. Mas eu leio tanto desde que descobri que estava grávida, e por isso eu banco minhas escolhas. Por que as fiz com muita certeza e com base para tal.

      • t4yra diz:

        Eu mamei 1 ano e meio e parei porque não quis mais, e meu irmão foi até os 2 anos. =)

        E quando eu crescer, quero ser uma mãe que nem você – hehehehe – mas é isso aí, pesquisa, leitura, conversa com especialistas, e com quem já teve essas experiências, é assim que vamos escolhendo os caminhos que queremos trilhar, né! Seu filho com certeza vai ser uma criança física e psicologicamente saudável por ter uma mãe presente e preocupada com sua saúde e sua formação. Parabéns!!!

  4. Faz tempo que não apareço, mas esse devo comentar…
    Embora eu sonhasse em ser mãe com tudo arrumadinho, casa, carreira e afins, isso aconteceu antes e junto com isso vieram as dificuldades, nesses 5 anos com minha filha eu cresci junto com ela, aprendo a cada dia lidar com meus sentimentos e com os delas..
    Nunca gostei de ficar parada e sempre ter várias coisas pra fazer, ainda tenho um sonho de trabalhar meio periodo que é qdo a filhota fica na escola e o resto ficar em casa e fazer outras atividades até lá não vamos levando…
    A questão de ser submissa, acho totalmente errada, conquistamos o direito de querer ou não ser submissa.
    Já o parto normal eu acho que não deve ser merecimento nunca, mas acho que é uma decissão a “4” a ser tomada, A “mãe, criança, médico e pai”, tem que levar em consideração o que será melhor principalmente para mãe e o bebê, no meu pre-natal o meu médico ressaltou várias vezes a importancia de ter parto normal, optei por achar que seria o melhor pra minha filha e para mim na recuperação.

    • t4yra diz:

      Essa parte do parto ser merecimento é a que eu mais discordo da entrevista, acho isso uma bobagem. E super concordo, não adianta querer decidir e pronto. Principalmente o bebê e sua posição serão muito determinantes nesse sentido. E eu, se tiver opção, vou querer ficar pelo menos os primeiros anos ao lado deles, e depois trabalhar meio período, quando eles estivessem na escola. Mas esse é o mundo ideal – hehehe. A questão é, se eu pudesse, optaria por isso sem nenhuma neura e acho o máximo ela que construiu uma carreira sólida na adolescência, fez um bom pé de meia e tem um marido que pode oferecer uma boa condição de vida a ela e às crianças, decidir que quer ficar ao lado dos filhos. =)

  5. nanamelon diz:

    A real é que ser mãe e trabalhar fora em período integral é TÃO DIFÍCIL que todas as mães nessa situação já pensaram em abrir mão da carreira. Eu já parei pra pensar nisso milhões de vezes. É que no meu caso, e no da maioria das mães, essa possibilidade não existe. Não sei se, caso ou pudesse escolher, de fato faria isso, porque sou agitada demais, preciso fazer milhões de coisas, senão fico angustiada. Mas Deus sabe como eu gostaria de tê-la. Se eu pudesse pelo menos trabalhar apenas no período em que eles estão na escola, e poder estar junto todo o resto, tenho certeza de que seríamos todos muito mais felizes. É bem triste passar no máximo 3 horas do dia ao lado deles.

    • t4yra diz:

      Pois é, no meu caso, se eu engravidasse agora, também não seria opção – eu teria de continuar trabalhando. Mas eu tenho certeza, que se eu pudesse, se tivesse condições financeiras pra tanto, pararia uns 5 anos pra ficar ao lado deles. Seria uma satisfação poder acompanhá-los de perto e não vejo nada de mal nisso. O que me incomoda é o julgamento de quem optou por esse caminho, o povo chamar de reacionária, submissa. Pôxa, eu acho que é um caminho diferente que a pessoa optou por trilhar. Mas essa sou eu… =)

  6. Taí, curti. Realmente é preciso coragem para expor seu pensamento assim. Penso exatamente como você, claro, guardada a inversão de papéis. Minha esposa e eu sempre quisemos que fosse assim em nossa família, mas ainda não foi possível. Chegamos perto do ideal, mas ela teve que retornar ao trabalho.
    Dia virá em que a sociedade entenderá a real importância de se contruit homens e mulheres de caráter e que esta construção depende da presença sólida da mãe ao lado dos filhos.
    Boa sorte na realização dos seus sonhos.

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