Sonho de criança

Faz tempo, bastante tempo, que eu fiz 15 anos. Na minha época era bem moda fazer baile de debutante, e quem não queria o tal baile, ia pra Disney. Eu optei por não fazer a valsa e viajar – ainda assim, acabei ganhando uma valsa. Como eu era bailarina, minha mãe conversou com meus professores e organizou um espetáculo de ballet, com 15 números e o último foi o Danúbio Azul, com 15 meninas e tudo mais. Devo confessar que ela mandou muito bem, e que foi lindo!!! Ainda assim, fiz questão de lembrá-la que aquilo tinha sido ideia dela e que eu ainda queria minha viagem, mas ela disse que é claro que a viagem estava de pé.

Aí quando comecei a fazer meus preparativos pra viajar, acabei desistindo de viajar naquele ano, porque o habitual era ir pra Disney em julho, e bem naquele ano foi a Copa dos Estados Unidos, ou seja, tudo estaria ainda mais lotado que o normal. Acabei declinando e deixando pra viajar no ano seguinte e meus pais toparam. Aí em alguma ponto do caminho entre os anos de 1994 e 1995, eu acabei mudando de ideia e surgiu uma oportunidade de eu ir pra Moscou estudar no Bolshoi – como estava no terceiro colegial, fiz os planos casarem com minhas férias de meio de ano e eu perderia as primeiras semanas de aula do segundo semestre. Minha mãe que é professora, ficou preocupada com o vestibular, não tava gostando muito da minha ideia – mas como ela mesma diz, eu sou a pessoa mais determinada do mundo, e quando boto uma coisa na cabeça, só desisto depois de conseguir. Resultado: consegui convencê-la. Mas ainda tinha meu pai, que não tava gostando nada da ideia de ver a filha de 16 anos se despencar pro outro lado do mundo. A falha no plano era a falta de argumentos dele: ele vinha com um contra e eu derrubava com dez a favor. Mas no meio do meu caminho tinha uma Chechênia, tinha uma Chechênia no meio do caminho e poucos meses antes da minha viagem estourou a gerra por lá e ele passou a ter a desculpa perfeita pra não me deixar ir pra terra de Lênin. E assim, graças à Chechênia eu não fui para o Bolshoi.

Ainda assim, minha viagem de 15 anos ainda estava valendo e eu estava decidida a gastá-la da melhor maneira possível. No ano seguinte, com 17 anos e já no cursinho, Mickey Mouse já não me seduzia tanto e eu queria mesmo era me dedicar ao ballet. Decidi então que iria pra Cuba fazer uma especialização – já que eles tinham métodos definidos especificamente para o corpo das latinas que tinham peito e bunda, e não era os seres esquálidos que bailavam no Royal, Bolshoi ou Kirov. Minha mãe, mais uma vez, já tinha se animado, mas meu pai, novamente, queria empacar a coisa – e um bate-boca com troca de bombas e reforço no embargo entre EUA e Cuba, boicotaram essa viagem.

Aí o tempo passou, eu fui fazer Faculdade de História, virei uma bicho-grilo da FFLCH, só queria saber de ícones de esquerda (e do ballet, sempre!). Meu sonho passou a ser conhecer Fidel, visitar o local onde mataram Che na Bolívia e por aí vai. E a minha viagem foi ficando pra lá.

Depois que as utopias da juventude dão uma baixada e você começa a enxergar a realidade de maneira mais concreta e palpável, eu já comecei a namorar sério, fui fazer Jornalismo, emendei um namoro no outro, TCC, desemprego, muito trabalho, casamento, adequação a uma realidade a dois… Depois fiquei doente, arrumei duas filhotas caninas e a vida foi seguindo seu curso.

Até que no meio desse ano, fui pra San Diego cobrir a Comic-Con, e logo depois, eu e o Thi resolvemos tirar uma semana de férias em Los Angeles e lá fui eu, fazer a turista, conhecer a Hollywood Blvd., os estúdios da Warner e, como não poderia deixar de ser, a Disneyland. Fiquei maravilhada, que nem criança. Chorei na hora da parada, babava com os fogos e olha que aquilo era só uma pequena amostra, já que na Califórnia são apenas dois parques e muito menores que o complexo de Orlando. Ainda assim, valeu a pena – eu ainda brinquei com a minha mãe que ela deveria arcar com aquilo tudo, já que a minha viagem de 15 anos ainda tá em suspenso.

Mas é agora que a coisa toda vai ser pra valer… Amanhã eu, Thi e Bia embarcamos pra passar o Natal na Disney e vamos voltar a ser criança por 2 semanas. Foram precisos 17 anos para que eu, enfim, pudesse ir até Orlando e conhecer o complexo de parques da Disney e os outros, das cidades vizinhas. Agora é ser feliz, abraçar o Mickey Mouse e voltar com muita pelúcia pra contar a história.

Se eu já fiquei com essa cara de boba na Disneyland, imagina na hora que eu chegar na DisneyWorld.

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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Uma resposta a Sonho de criança

  1. Joice diz:

    Conheço as duas, Disneyworld e Disneyland, pra mim cada uma tem seus encantos. Mas vc vai amar, e ame e curta tudo por mim, a última vez que eu fui, foi em 93. Há muito tempo. Vc vai ter uma porrada de coisas novas pra dividir comigo! Beijão e boa viagem!

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