Uma história de apelidos

De verdade, acho que nunca ninguém nessa vida teve tantos apelidos toscos quanto eu, e os porquês são os mais cretinos ever. Sério, é totalmente surreal e até cômico. O meu primo Kim morre de rir sempre que eu toco nesse assunto, principalmente quando chega nos apelidos da época do colegial.

Criança e adolescente é do tipo de ser mais cruel que a natureza já criou! Não tem freio moral nenhum, e nunca se priva muito em cutucar alguém quando de fato está a fim de fazer isso. Por isso, hoje decidi falar um pouco disso por aqui. Vou contar os apelidos que me seguiram ao longo da vida, desde os cutes dados pela família e amigos, passando pelos mais asquerosos dados pelos colegas mais mean do mundo. Já deixo claro que vou ignorar simplesmente a pergunta imbecil que todas as pessoas do mundo, quando me perguntam meu nome e eu respondo, inclusive o Jô Soares, me fazem: “é Tayra ou Traíra”. A coisa é tão batida, sem graça e sem criatividade que só me basta dar um sorrisinho amarelo e pensar: ‘Oh my!’.

Vamos começar cronologicamente. Desde sempre, por toda a vida, desde que me lembro de minha existência, meu pai sempre me chamou de Tata ou de Pretinha. O Tata acabou sendo herdado pelo meu irmão, que até hoje só me chama assim. E a minha babá e sua família me chamavam de Tatinha, uma vez que eles já tinha uma Tata na família deles.

Por volta dos meus 3 anos de idade, eu tinha uma inacreditável cinturinha (coisa que pouquíssimas crianças tem!) e uma bundinha arrebitada impressionante. Aí o Tio Otávio (tio da minha mãe) passou a me chamar de Maria Bundinha, e nunca sequer mencionou meu nome outra vez e confesso que odiava – acho que por isso que ele não me chamava de Tayra nem a pau. Mal eu entrava na casa dele e ele gritava: “vem cá, Maria Bundinha!” e eu ficava pra morrer, logo cruzava os braços e fazia cara de emburrada (coisa que até hoje sei fazer como ninguém!).

Na pré-escola ou os meus colegas eram crianças mais dóceis, ou tinham dó daquela pirralhinha dois anos mais nova que eles, e aí se compadeciam e decidiram que não me colocariam apelidos. Mas logo que entrei no primário meu sossego acabou. Da 1ª a 4ª série a merda de apelido de Piolhenta me perseguiu. Na verdade, ele começou como Crente, isso porque eu tinha um senhor cabelão, maior que o da média das meninas da época, mas aí, como eu não ligava muito, eles começaram a dizer que com um cabelo daquele tamanho, com certeza eu tinha uma infestação de piolhos. Ódio, sangue e morte! Lembro que em 1987 passava aquela novela Mandala e que o hit da mesma, estouradíssimo em todas as rádios era ‘O Amor e o Poder’ da Rosana, e a rádio Cidade tinha um quadro de paródias e fizeram uma que era ‘Piolho em você’, onde no refrão berravam em alto e bom som: “como uma lêêêêndia”. Aí fodeu a minha vida de vez, bastava eu entrar na sala pro povo começar a cantarolar o refrão. Era um verdadeiro inferno… Sério, eu tinha até vontade de faltar na escola e nessa época nem se falava em bullying – ahahaha.

Na 5ª série mudei de escola e fui pra mesma onde minha mãe dava aulas desde quando estava grávida de mim. Lá virei a Monguinha, uma vez que eles chamavam minha mãe de Monga (aquela mulher-macaco do Playcenter), isso porque ela era casada com um negro/macaco, segundo aqueles racistinhas maledetos. E não teve como escapar do apelido que já era tão odiado pela minha mãe, acima de tudo pelo motivo escroto. E alguns me chamavam de Punky, porque eu amava a personagem do seriado/desenhos e volta e meia ia pra escola com um pé de tênis de cada cor. =)

Na 6ª, como não tinha me adaptado à escola da minha mãe, mudei de escola novamente, e lá virei a CD (que depois eu descobri que era um diminutivo de CDF), porque imaginem só uma menina de 10 anos no meio do pessoal de 13 e 14 anos. Eu era a pirralha mal saída da infância e eles não se conformavam que eu estava na mesma série escolar que eles. O pior é que eu nunca fui estudiosa, esse é o apelido menos merecido na vida – ahahaha.

Na 7ª série fiz minha última mudança escolar e no Isaac Newton recebi a maior quantidade de apelidos que uma pessoa pode sonhar. Já nesse ano tive todos os apelidos decorrentes de batata por causa do meu nariz: Rufles, Bint, Backed Potato, Batatão, Batata e 2 Buracos e por aí vai…

Na 8ª série o foco mudou, e por conta do lançamento da Mara com o disco Curumim, meus apelidos variavam entre Mara Maravilha e Tuiuiu (por conta do refrão da porra da música). Nessa mesma época, meu primo Kim começou a falar e não conseguindo pronunciar meu nome, me chamava de Taíta, que foi adotado pelo meu irmão, mãe e tia, e até hoje esse apelido aparece de vez em quando nos almoços de família. =)

No 1º colegial além de carregar os da 8ª série, passei a ser chamada de Madonna e Pop Star, tudo isso porque um dia num ensaio da peça Morte e Vida Severina do grupo de teatro da escola, muitos faltaram e eu comentei: “Nossa, vieram só 4 atores no ensaio”. Pronto, bastou. Esses outros 3 ficaram rindo da minha cara, dizendo que eu me achava a artista, a celebridade, e contaram a história pra todo o resto do colégio, que passou a me chamar dos apelidos supra-citados. E também o tonto do Sandy me chamava de Pampers, por conta da bunda grande e arrebitada, que segundo ele parecia que eu estava de fralda, ainda mais porque eu era uma magreza só e tinha apenas aquela abundância… o.O

No 2º colegial, a bailarina magrela de repente encorpou, e da noite pro dia os meus peitos simplesmente explodiram e ficaram essa imensidão que todos sabem. Aí o mesmo Sandy começou a me chamar de Cabeça de Nenê, porque cada um dos meus peitos pareciam uma cabeça de nenê. Isso ressultou numa neurose, eu queria porque queria fazer cirurgia de redução dos peitos, mas o médico disse que eu tinha que esperar completar 18 anos e eu teria que aguentar ao menos mais 3 anos de martírio com os peitões. (ainda bem porque pouco mais de um ano depois, mudei totalmente de ideia e passei a amar os meus seios avantajados!)

Já no 3º colegial, o Cabeça de Nenê prosseguiu, e também algumas meninas começaram a me chamar de Mocotó, porque segundo elas eu era a cara do personagem da Malhação (programa vespertino recém-estreado). E alguns meninos bem bestas começaram a me chamar de Xico Verde, porque eu era (e ainda sou!) uma das palmeirenses mais fanáticas que se tem notícia, e eles diziam que até o sangue da minha menstruação deveria ser verde, e aí esse apelidinho “meigo”.

No cursinho, novamente por conta do cabelão, virei a Pocahontas, e muita gente da minha sala nem sabia meu nome. Todos, inclusive os professores, só me chamavam de Pocahontas.

Daí pra frente, os apelidos foram todos mais das amigas e deixaram de ter qualquer caráter ofensivo. Na academia eu era a Tay, Peitão ou Bunda Grande, na faculdade as meninas me chamavam de Tayrão e sempre foram apelidos carinhosos, que faziam parte de uma grande amizade.

Na vida adulta, as pessoas perdem esse fator besteirento que tem necessidade de apelidar os outros pra ofender, e eu acabei não recebendo mais nenhum apelido – apesar de ter certeza que o povo que não me curte deve me chamar de nomes desagradáveis pelas minhas costas, mas pra esses eu taco tanto o foda-se que é como se eles simplesmente não existissem.

E, acredito, sinceramente, que encerro por aqui minha história de vida repleta de apelidos. =)

366/22

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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6 respostas a Uma história de apelidos

  1. Eu tenho muitos apelidos também,por conta da minha altura,é eu sou baixinha mesmo,puxei pra minha vó.Meus amigos me chamam de Mayarinha,8ª anã da Branca de Neve e pretinha.Vai entender, pelo menos por alguma coisa agente é lembrada e querida xD

  2. Eu tenho pavor de apelidos. Peguei trauma no colegial também, quando não tinha essa de bullying. Os meninos infelizes me chamavam de FB, numa época em que aquelas camisetas e bonés da Fubu eram moda. Mas não tinha nada a ver, nem com a marca e nem com o Fabiana. Era de Farol Baixo, porque eu não tinha peito nenhum! Hahaha! Que raaaaaaaaiva eu tinha dessas pestes! E o Neusinha, de Japoneusa, que me acompanha até hoje – meus amigos de colegial só me chamam de Neusa e Neusinha, acho que até esquecem que meu nome é Fabiana… ^^

  3. Maria Fernanda da Silva Barbosa diz:

    Nossa quantos apelidos para uma unica pessoa,né?
    se fosse eu ja tinha espancado todo mundo que me deu os apelidos!!!

  4. Pingback: Cinco coisas que vocês nem imaginam sobre mim | Teia de Renda

  5. Roberto Antunes diz:

    Parabéns pelo texto.
    Também estou escrevendo um texto por conta dos apelidos que me atribuem. Principalmente os amigos do futebol. Vou enviar a ele como uma mensagem de natal.

    A todos vocês meus queridos amigos
    gostaria de transmitir minha mais sincera e
    profunda mensagem natalina.

    “Pode ser :

    Jesus Cristo;
    Robson Crusoé;
    Gepeto;
    Presidente Lula;
    Ray Conniff;
    Raul Seixas;
    Paulo Coelho;
    Merlin;
    Matusalém;
    Dumbledore;
    Nostradamus;
    Gandalf;
    Benito di Paula;
    Cutch-cutch;
    Lábios de mel;
    Dragãozinho;
    Portentoso;
    Antonio Fagundes;
    Johnnie Walker;
    Velho Barreiro;
    Pereirinha;
    Velho do rio.

    Mas,
    ora essa,
    aonde já se viu…

    Papai Noel
    … é a
    puta que o pariu.

    A vocês e a seus familiares
    Um Feliz Natal e um Ano Novo
    Repleto de Paz, Saúde e
    muitas Realizações
    Beijo a Todos.

    Roberto Antunes (Tunão) e família.

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