Selva de Pedra

Feriado, 458º aniversário de São Paulo, dia de ficar em casa e curtir o momento. Nada mais justo que o tema do post de hoje seja sobre essa cidade que me abriga desde o meu primeiro dia de vida. Mas não que esse seja um post elogioso. Muito pelo contrário. É que parece que em datas como as de hoje as pessoas ficam meio cegas, e obrigatoriamente só consigam ver qualidades e perfeições de um lugar do qual se queixam diariamente. Mas, enfim, vamos ao texto…

Eu sou uma pessoa cosmopolita, adoro uma metrópole, gosto de ter tudo ao meu alcance, gosto de saber que o mundo está acontecendo ao meu redor. Sempre que estou no campo, em lugares isolados, calmos, bucólicos, sinto uma inquietação, um siricutico de querer voltar pro meu canto, pra minha muvuca, pro barulho, pro vuco-vuco.

Essa foto é do Fore, e eu gosto tanto que decidi usar... ^__^

Nasci em São Paulo, sou uma paulistana da gema, aqui passei minha vida toda e aqui fui formando o que sou. Filha de um baiano com uma paulista em Jacareí, mas que vive em São Paulo desde os seus 12 anos. Aqui fui crescendo e amando essa cidade que é um mosaico, um mini-mundo, onde você encontra gente de qualquer canto do Brasil e do planeta. Fui aquela menina que cresceu correndo no Ibirapuera, no Horto, empinando pipa na USP, embasbacada com as estrelas do planetário, apaixonada pela história do país que fui descobrindo no Museu do Ipiranga, feliz da vida nos muitos domingos passados em Passeio do Fusca (que acontecia todo mês de janeiro) no Autódromo de Interlagos. Depois cresci e virei baladeira de plantão, e essa é sem dúvida a melhor cidade do mundo pra badalar, de segunda a segunda tem coisa boa pra fazer. De quinta a domingo eu batia cartão em algum canto da cidade pra dançar até o DJ tocar a última música e me escurraçar de lá. (duro mesmo era ir pra faculdade na sexta de manhã – hehehe!)

Culinária de qualquer país que você sonhar, aqui tem. Museu de tudo quanto é coisa, uma porrada de salas de cinema, um sem número de teatros e espetáculos (de mega produções aos mais mambembes). São Paulo é um caleidoscópio e é a cidade que sempre amei. Eu sempre penso o quanto vai ser difícil me habituar a outro lugar fora daqui, porque aqui tem tudo tão ao meu alcance, que me sentiria meio refém de uma cidade com menos opções, e acharia tudo menor, tudo meio cidadezinha do interior.

Curiosamente, há cerca de 8 anos, os paulistanos foram conseguindo minar o amor que sempre nutri pela cidade, afinal de contas um lugar é feito pelas pessoas que o habitam. O fato é que eu não aguento mais viver em São Paulo, mesmo com tudo de bom que ela tem a me oferecer e com tudo de bom que já me deu. Tanto que quando me casei, nem cogitamos comprar um imóvel porque eu já tinha uma única certeza: não queria mais viver em São Paulo. Não sei se quero ir pro Rio de Janeiro, pra San Diego, pro Canadá, Espanha, África do Sul ou Marrocos, o fato é que eu não aguento mais ficar aqui.

Os porquês são muitos. O trânsito surreal é um deles, não é caótico, porque tem regras, que estão ali, mas não são respeitadas (nem mesmo por quem fiscaliza). O jeitinho brasileiro é outro, mas com esse eu vou me deparar no Rio, em BH, em Salvador… A poluição é ponto importante. Mas eu ainda acho que o paulistano é o ponto determinante, e falo isso sendo paulistana. E esse nem é um texto de rancorzinho sabe, é um texto de desabafo, de quem tá cansada de ver tanto desrespeito ao próximo, tanto individualismo, egoísmo e gente puxando o tapete alheio como se tudo isso fosse o normal. E o que mais me cansa é eu agir de forma diferente disso e ser encarada como se eu fosse um E.T. E é tudo isso que me faz não querer mais São Paulo como meu lar.

Vai ser sempre a cidade que eu nasci, cresci, onde formei meu caráter, onde conheci o homem que amo, onde estudei, mas já deu. Ainda não me decidi pra onde vou, mas tenho pesquisado com afinco. Ainda assim, vou continuar desejando o melhor pra São Paulo: um povo mais dedicado, que vote conscientemente e que lhe dê melhores governantes. Que tenha um plano de urbanização mais eficiente, um transporte público eficaz, e que os diferentes tipos de veículos se respeitem mutuamente. Também desejo que as chuvas venham e não tragam tantas enchentes, porque os bons governantes futuros vão cuidar para resolver essas questões e não teremos mais um pop-star de Hollywood surfando em inundações de nossas ruas. Desejo menos desemprego e menos desabrigados. Desejo uma metrópole de primeiro mundo que não tenha lixos nas ruas, nem lixeiras depredadas. Desejo que o pedestre seja sempre respeitado e não apenas nas ruas em que os guardas estão multando quem não o faz. Desejo que os motoristas aprendam que a preferência é sempre de quem já está na rotatória e não de quem vai entrar à direita. Desejo praças verdes, bem cuidadas, onde as pessoas possam sentar, conversar e curtir o momento. Desejo um céu mais azul e menos poluído. Desejo uma cidade harmônica e feliz da qual eu possa me ufanar. Se é pra sonhar, então vamos sonhar direito.

Feliz aniversário, São Paulo! Não vou te dar parabéns, porque não acho que mereça, acho que você vai seguindo em frente, aos trancos e barrancos, do jeito que dá. Mas quero te ver de novo como a cidade que amei um dia. E que esse dia chegue logo.

366/25

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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