Eu e os meus registros

Eu acho que já comentei sobre isso por aqui, mas eu sempre tive mania de escrever, de registrar as coisas que acontecem comigo. E isso eu herdei do meu pai, porque sou a única pessoa que eu conheço que tem diário desde o dia que nasceu. É sério! Meu pai escreveu meus diários, do dia que eu nasci até por volta dos meus 5 anos de idade, ou seja, tenho um belo relato dos meus primeiros anos de vida.

Mas eu mesma faço os meus registos desde os meus 7 anos de idade, logo depois do meu avô morrer, comecei a escrever diários. Me lembro disso, porque me lembro que eu escrevi isso no primeiro dia: “querido diário, faz três dias que o meu vô morreu, e apesar de eu não encontrar com ele todo dia, já estou com saudade”.

Foi uma coisa que sempre foi muito importante pra mim, porque, apesar de todo mundo me ver como a mais extrovertida das criaturas, no fundo, em relação a mim mesma e ao meu íntimo, eu sou extremamente tímida. Sério!!! E o diário sempre me ajudou a botar pra fora esses meus dilemas de pessoa tímida travestida de extrovertida.

Desde 1986 esse é um hábito que segue me acompanhando, com altos e baixos, já que há momentos de extrema correria que mal dá tempo de respirar, quanto mais de parar pra respirar e registrar tudo no diário. Desde 2009 passei a deixar os escritos em tamanho menor e eles começaram a ser feitos em moleskines – mais fáceis de botar na bolsa e de carregar pra cima e pra baixo. E nas épocas que fico sem fazer meus registros me sinto meio órfã, meio carente… Fico sentindo falta de me abrir de uma maneira que não consigo fazer nunca com ninguém. E acho que esse hábito vai me acompanhar ao longo da vida, porque não há amiga que substitua o diário. A sensação de colocar meus sentimentos no papel é indescritível. É como desabafar com alguém que me ouve, e que está disposto a ouvir incondicionalmente, a me aguentar, sem cobrar nada em troca. E muitas vezes, colocando as coisas no papel, eu consigo ponderar o que tá acontecendo, pesar os outros lados da situação, analisar mais friamente. O diário me ajuda muito.

Mas o pior é ficar olhando olhares tortos de quem nunca fez diário, e acha que isso é coisa de criança, de adolescente. Mas vale lembrar que grandes figuras da história mantinham diários, o que muito ajudou na construção de como as coisas aconteceram em seu tempo. Escrever um diário faz um bem enorme, eu recomendo, viu gente…

PS: ah, e o pessoal que sempre fala que eu tenho uma excelente memória e que me lembro de coisas que ninguém lembra, garanto que, fazer diário tem uma boa parcela “de culpa” nessa minha tão boa memória. Porque quando estou passando os acontecimentos no papel, estou revivendo cada um deles e reforçando ainda mais as lembranças de cada momento. ;)

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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3 respostas a Eu e os meus registros

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