Irmão postiço

Falei que o mês de março era complicado, né! A Família Silva adora esse mês… Mas parece que além de amar o mês de março, eles gostam mesmo do dia 22/03, porque só da família hoje é aniversário da Maria, do Adriano e do Kim. E apesar de todos os três terem espaço reservado no meu coração e eu desejar um monte de coisas boas para eles sempre e com carga redobrada no dia de hoje, o meu post é especialmente dedicado ao mais novo deles, o Kim.

Nós somos em 10 netos e brincamos que a família é dividida em duas gerações de 5 netos. O Kim, teoricamente, é o mais velho da segunda geração, mas na verdade verdadeira, por conta de afinidade e proximidade, ele virou mesmo o caçulinha da primeira – hehehe. Eu sou a neta mais velha, e segunda no geral, sendo precedida pelo meu primo Téo (quatro anos mais velho) e encabeço uma escadinha perfeita, seguida pela Quelany e pelo meu irmão Taygoara. Logo depois vem o Ramiro, que tem dois anos de diferença pro meu irmão e aí temos os cinco primeiros netos e um belo hiato.

Só pra história das duas gerações de netos não se perder, três anos depois do Kim veio o Eduardo, dois anos depois o Luiz Henrique, e mais quatro anos depois a Lana e a Raíssa (esses quatro últimos do meu tio Edvard, que também é pai da Quelany, Ufa!). Por isso, o Kim, que tem seis anos de diferença pro Ramiro e só três pro Eduardo, cronologicamente, está muito mais pra turma da segunda geração que pra primeira. Mas na prática, ele ficou com a turma da primeira mesmo – hehehe.

Quando eu tinha 10 anos, minha tia Eliana engravidou e essa foi a primeira gravidez que me lembro de acompanhar, durante todo o passo a passo. A barriga dela crescendo aos poucos, o quarto do bebê sendo montado, o neném dando os chutes dentro da barriga, os desejos de grávida (e o brigadeiro de panela que comemos juntas!)… Mas o principal mesmo era a minha torcida e a da Quelany para que nascesse uma menina e a gente empatasse o placar, já que eram 3 netos contra 2 netas. Também tinha a escolha do nome: que se fosse menina seria Isabela e se fosse menino, minha tia queria que fosse Kim (que quer dizer ouro, em chinês) e o Cassiano queria que fosse Natan – mas ela implicava porque era um nome que de trás pra frente se lia da mesma maneira.

Apesar de achar graça da nossa torcida, minha tia dizia que tinha certeza de que era um menino, mas que não queria brochar nosso ânimo, e aí, ela falava que se nascesse menina ela ia mandar fazer um guarda-roupa igual ao dela em miniatura e que ela e a bebê iam sair sempre iguaizinhas. Eu, que achava ela o máximo, super fashion, adorava a ideia e hoje penso: ainda bem que nasceu menino – hahaha.

Chegou meu aniversário de 11 anos, a barriga da minha tia cada vez maior e eu não via a hora da minha “prima” nascer. Até que passadas pouco mais de duas semanas toca o telefone lá em casa e o Cassiano avisa que nasceu… E que é um menino. (Ah, que puxa!!!) E que ele ia buscar minha mãe pra ela dar uma força pra Eliana – aquela coisa de trocar fralda, como amamentar, como dar banho etc. que toda mãe de primeira viagem sempre fica um pouco perdida. E minha mãe volta pra casa dizendo que ele era o bebê mais lindo que ela já viu, o primeiro que não nasceu com cara de joelho. Eu e meu irmão só queríamos saber a hora que poderíamos ir visitá-lo e pegá-lo no colo.

Lá fomos nós, uma criança de 11 anos recém-feitos e outra de 8 anos, loucas pra ver o priminho recém-nascido. E não é que a minha mãe tinha razão! Ele era mesmo a coisa mais linda, e mesmo toda desajeitada eu estava toda feliz de poder pegar ele no colo mesmo que fosse só um pouquinho…

O primeiro ano da vida dele a gente praticamente morava na Joaquim Antunes. Todo fim de semana a gente tava lá pra “xodozar” o primo caçula. E o vínculo entre nós já foi se tornando forte desde então. Em 1992, minha tia arrumou um trabalho no Maranhão e precisou ficar lá por um tempo (quase 2 meses – eu acho que foi uma campanha eleitoral, mas não tenho certeza). Nessa época o Kim tinha 2 anos e meio e ficou morando lá em casa, e aí não teve jeito, virou irmão pra todo o sempre. Meu pai, que ele chamava de Tio Dedei (meu pai se chama Denilson), virou Papai Tio Dedei. Ele que ainda falava muito timidamente, com dois “irmãos” mais velhos e adolescentes, desembestou a falar e ficou bem malandrinho também. Temos lembranças maravilhosas dessa época, que o coitado nem deve mais aguentar ouvir de tanto que repetimos sempre que temos uma oportunidade.

O tempo foi passando, ele crescendo e todo mundo dizendo que ele parecia comigo – apesar de eu nunca conseguir ver tal semelhança – mas ficando bem feliz, uma vez que eu acho ele lindo (hehehe!). Mesmo com toda a correria e os horários insanos de trabalho da minha tia, o vínculo entre nós sempre foi muito forte. E mesmo que nos víssemos poucas vezes por ano, há coisas que são muito mais fortes que o tempo e que a distância.

Quando eu comecei a namorar o Thiago ele tinha 14 anos, quase fazendo 15, e o jeito tímido e geek mútuo fez com que eles se tornassem amigos de imediato. Tanto que ele foi nosso padrinho de casamento. E quando a gente mudou pra Frei Caneca, ele fazia cursinho na mesma rua e era praticamente o terceiro morador da casa. Passou horas treinando PES no finado XBOX do Thi, e graças a isso conseguiu faturar uma viagem pra Alemanha no WCG 2008. Agora ele tá mergulhado no último ano de faculdade, às voltas com o fatídico TCC e ainda dá conta do trabalho, por isso sobra bem pouco tempo livre pra que a gente se veja, mas ainda assim, ele sabe que tem aqui uma segunda casa e que sempre que precisar de mim (e do Thi também) é só correr que estaremos aqui pra absolutamente tudo.

Ele foi a primeira pessoa a me fazer sentir aquele tão temido: “nossa, tô ficando velha!”. Já que eu acompanhei o crescimento desde a barriga da mãe, vi bebê, peguei no colo (literalmente, como as fotos comprovam), vi crescer, me ultrapassar e ficar muuuuuuuito maior que eu (ainda bem, né!).

Tudo isso pra dizer que hoje, no aniversário de 22 anos dele, além de reforçar o coro de gente que vai desejar felicidades pra ele, eu queria dizer que ele é o meu irmão caçula de coração, e pra quem eu só quero as melhores coisas sempre. É uma daquelas pessoas que está entre as minhas vibrações diárias e pra quem eu mando o tempo todo uma corrente de mentalizações positivas, é aquele que vai me fazer vibrar a cada sucesso como se fosse meu e a quem eu vou querer bem pelo resto dos meus dias. Kim, parabéns pelo seu dia, feliz aniversário, com todo amor e carinho da sua prima-irmã.

366/80

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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7 respostas a Irmão postiço

  1. Que texto foda!
    E parabéns ao nosso primo. Lembro-me de passar a noite jogando International Superstar Soccer com ele no N64, e morria de rir quando ele não conseguia ficar mais de 3 segundos sentado no sofá hahaha. Tudo de bom pro Kim(dim) :)

  2. t4yra diz:

    ^__^

    Primos sempre tem as melhores lembranças, né!!! E são essas coisas que vão fazendo as nossas vidas terem sabores mais especiais. :)

  3. Lindo texto Tay, fiquei emocionada com o seu carinho.
    Primos-irmãos são especiais e eu também tenho família grande e os momentos passados com meus primos são inesquecíveis.
    E eu sei bem como é acompanhar desde a barriga uma criança.
    É um amor tão grande que não cabe no coração (a Lu que o diga, eu fui mais mãe dela do que das minhas filhas).
    Parabéns para o seu irmãozinho do coração e parabéns pela família linda que você tem o privilégio de ter.
    Beijo
    Sil

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