Meme: Um objeto que me defina

Esse eu fiquei bastante na dúvida, porque não sabia se pegava um livro, a minha boneca da Mafalda ou um dos meus vários São Francisco.

Acabei escolhendo um São Francisco, e foi bem difícil escolher um só, afinal tenho vários, e tem alguns que são encantadores – tem um que é talhado num palito de fósforo que eu amo!!! Acabei escolhendo um que tivesse a feição bem bonitinha, que tivesse acompanhado de alguns animais diferentes e que de cara vocês pudessem perceber do que se tratava.

Eu já contei aqui antes sobre a minha admiração por São Francisco de Assis, e que eu sempre tenho que explicar que não tem nada a ver com ele ser o protetor dos animais. E o engraçado é que eu nem sou católica (na verdade falar de religião é complicado, porque eu fui agregando coisas que eu acredito e concordo em diferentes religiões e acabo tendo a minha fé, independente de qualquer doutrina). Mas eu tenho uma imensa admiração pela figura humana de São Francisca, pela sua postura diante do mundo – que me lembra demais Jesus Cristo – e que era uma pessoa extremamente solidária e preocupada com o próximo.

E o engraçado é que apesar de serem completamente diferentes, o que me fez ficar indecisa entre a Mafalda e o São Francisco foi exatamente o mesmo motivo, de eu expressar o quanto precisamos nos preocupar uns com os outros. Tanto que quando a Lia pediu pra reunirmos alguns objetos que nos definissem numa foto, os dois estavam lá. E isso porque eu penso muito sobre o fato de nenhum de nós ser uma ilha, de sempre estarmos precisando um dos outros (independente de como) e de incomodar demais esse individualismo e egoísmo tão latente na nossa sociedade. Eu acho que tudo seria mais fácil se todo mundo se preocupasse mais com o coletivo, em saber se o próximo está bem, se a sua postura não está prejudicando o outro. E a Mafalda é aquela criança prodígio que se preocupa o tempo todo com o futuro do mundo. Já São Francisco abriu mão de toda a riqueza da sua família para poder estar mais próximo daquilo que ele acreditava e levou sua vida tratando a tudo e todos como iguais, sejam eles seres humanos, plantas/árvores ou animais – por isso acabou ficando conhecido como padroeiro dos animais.

E eu acho que a gente precisa de mais gente como ele nesse mundo, onde o MEU dita todas as regras. Se todos pensassem mais no NOSSO, de pouquinho em pouquinho as coisas seriam mais fáceis. Às vezes é quase nada, mas botar um sorriso no rosto e dar um “Bom Dia” sincero pro porteiro do seu prédio faz muita diferença. Todo lugar em que trabalhei, eu sempre era a que ficava amiga das faxineiras e das tias da cozinha, e isso porque eu nunca achei que elas eram menos do que eu – sempre as tratei com muita atenção, como iguais. Porque no fim, pouco importa se eu falo inglês e espanhol, se fiz duas faculdades e algumas delas mal terminaram o primeiro grau. Nós somos seres humanos, com os mesmos direitos e deveres, e não há porque eu tratar melhor o meu chefe do que a faxineira. Tanto que a Francisca era faxineira minha e de um monte de amigos meus (Andrezinho, Gabi, Marina, Manu), na verdade eu fui a última a entrar na brincadeira, porque ela nunca tinha dia livre e acabou começando a vir pra mim. Ela veio pra mim apenas quatro vezes (vinha uma vez a cada 15 dias) e logo em seguida arrumou um emprego fixo e não poderia mais trabalhar como faxineira pra ninguém. Como ela é ótima, todo mundo ficou arrasado porque perderíamos ela. Aí ela veio e me falou que não poderia mais ir pra ninguém, mas que comigo ela ia continuar, mesmo que fosse de domingo. Tenho certeza que a maneira de eu trata-la de igual pra igual pesou na hora de ela escolher com quem ficaria. Tanto que quatro meses depois ela me ofereceu pra ficar de mensalista (e aí se demitiria do emprego). Ficamos nesse sistema por 1 ano e meio, e mesmo depois que ela conseguiu um emprego de copeira numa agência de publicidade – e que pagava o dobro do salário que eu podia oferecer – ela continuou comigo 2 vezes por semana, indo pra lá pra casa depois do expediente (aí ela chega umas 4 horas e fica até de noite) e aos sábados.

Acho que esse é o verdadeiro segredo. Tratar os outros como você gostaria de ser tratado. Nunca se aproveitar de alguém ou de uma situação que possa prejudicar outra pessoa. Com pequenas atitudes o mundo fica bem mais palatável e fácil de encarar. Por essas e por outras eu acho que o São Francisco me define bem – ao menos me serve de guia, de inspiração. ;)

A Anne, a Sylvia e a Lívia já contaram os objetos que a definem. E a Gabi tá atrasada com os memes, assim como eu – hehehe – e logo mais deve contar o seu. E você, se tivesse que escolher um objeto pra definir, qual seria?

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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3 respostas a Meme: Um objeto que me defina

  1. Anne diz:

    Tayra,

    Amei o texto e concordo com cada palavra, principalmente sua explicação sobre religião, sou igualzinha.

    Sua definição não poderia ser melhor.

  2. t4yra diz:

    Eu também adorei seu texto e sua escolha de objeto. ^__^

    E quanto a religião, sempre achei que Deus é cada um de nós, porque não adianta ficar pregando, falando em Deus o tempo todo e não fazer nada pelo próximo. Ele está nos nossos atos, muito mais do que nas nossas palavras. :)

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