A odisséia do retorno

O tempo passou, comecei a botar a vida em ordem e agora eu volto à minha rotina normal de posts, ainda vou falar bastante sobre a viagem, mas vou começar pelo fim e falar da nossa volta pra casa, que foi um tanto quanto conturbada. Sabe aqueles dias em que tudo parece fadado a dar errado?! Pois é… As 24 horas que separaram a nossa saída do hotel em Anaheim e a nossa chegada a São Paulo foi infernal, digna dos planos mais mirabolantes de Murphy.

Madrugamos, porque estávamos em Anaheim, que apesar de ser bem perto de Los Angeles, com o trânsito que existe na freeway pode transformar essa distância em mais de 2 horas. Quando deu 8 horas da manhã a gente já tava no carro pra pegar a estrada (e como isso já equivalia a meio-dia aqui no Brasil, perdemos mais de 24 horas em trânsito). Chegamos nos arredores do aeroporto e devolvemos o carro e rumamos, enfim pro aeroporto em si. Check-in feito, malas sem nem passar perto do limite de peso (como eu já sabia, apesar dos temores do Thiago) e lá fomos nós esperarmos as muitas horas que nos separavam do nosso embarque pra Cidade do México. Essa parte foi belezinha, nada de errado. Ou melhor, quase nada de errado, porque quando faltavam 1 hora pro nosso vôo sair, avisaram que o avião nem tinha saído da Cidade do México porque o tempo lá tava horroroso. Ou seja, lá vinha um belo atraso. Como a gente tinha um intervalo enorme entre o vôo de conexão, isso nem nos preocupou, mas é um saco, né!

Aí, passa um tempo e a mulher da AeroMéxico avisa que como o vôo tá muito cheio ao invés das duas bagagens de mão, só vai ser permitido levarmos uma. Aí lá vai o Thi despachar uma das nossas malas, e ficamos cada um com uma. Ainda assim, passou uma moça querendo obrigar a gente a despachar mais uma, alegando que era muito grande (provamos por A + B que era menor que as medidas máximas permitidas, mas mesmo assim ela insistiu que não ia nos deixar embarcar com ela – desisti de discutir e decidi ignorar).

A hora do embarque foi um vuco-vuco, até porque o sistema da AeroMéxico é muito inteligente. NOT! Enquanto todas as companhias aéreas começam chamando primeira classe e depois os passageiros das 4 últimas fileiras e depois vão indo em ordem decrescente pro avião todo não ficar um caos, eles chamam a primeira classe e em seguida todos que estão em assentos de janela – ou seja da fileira 40 à fileira 8 estão todos causando e botando suas bagagens de mão ao mesmo tempo e aí fica aquela coisa linda. Passados dez minutos chamam os do assento do meio e mais dez minutos os do corredor. É uma maravilha, ainda juntando que no acesso ao avião a gente tinha que despachar a mala de late check-in, então tava tudo ainda mais delícia!!!

Depois de algumas turbulências chegamos ao aeroporto da Cidade do México, e lá começou o calvário de fato. Uma moça atrapalhada na esteira de bagagens pedindo declarações, que ninguém tinha indicado que preenchêssemos nada. Preenchemos e passamos no raio-X, mal a minha mala saiu dali e a mulher me disse que ia revista-la e então me pediu que apertasse o botão que “sorteava”se a gente ia ou não ter a mala revistada e que, curiosamente, acendeu o botão verde. E pediu pro Thiago apertar também e aí a dele deu vermelho. Revirou tudo e aí nos liberou.

Despachamos as malas que deveriam ser despachadas e lá fomos nós com as malinhas de mão rumo ao portão de embarque, e no meio do caminho tinha um raio-X – e aí, acho que eu tava com cara de filha do Bin Laden, pediram pra olhar todas as malas novamente. Abrimos tudo e como sou uma pessoa muito respeitadora das regras, nos liberaram e rumamos pra aguardar a hora do nosso vôo. Esperamos horas e horas a fio, quando faltavam uns 40 minutos pro vôo avisaram que rolava uma super lotação e que seis pessoas precisavam se candidatar a ficar no México pra embarcar só no dia seguinte (iam ganhar hospedagem e mais passagem de ida e volta São Paulo/Cidade do México pra usar ao longo do próximo ano) e já começa aquele vuco-vuco – porque basicamente só tinha brasileiro, nêgo começa a dar barraco de “não quero nem saber, eu quero embarcar” e aí já viu. Antes mesmo de chamarem a primeira classe já estava a maior confusão e as pessoas se amontoando.

Não sei se eles pensam que quem entra primeiro ganha um brinde. Sei lá… Aí a primeira classe mal conseguia chegar pra embarcar e depois quando começaram com aquela logística genial de chamar as pessoas que sentam nas janelas, começou o fuzuê de parente que estava na janela sentado ao lado de quem tá no meio querer entrar junto e já viu… Como eu e Thiago estávamos no corredor e somos respeitadores das regras, esperamos a nossa vez e fomos dos últimos a sermos chamados e aí, quando chegamos lá estávamos sem o papel da migração, que ficou com a tal da mulher que revistou a minha mala (quando pediu pra apertarmos o botão). Explicamos para a moça da AeroMéxico e ela disse que sem aquele papel ela não nos deixaria deixar o país. Perguntei o que podíamos fazer e ela disse que deveríamos nos dirigir até a Migração e solicitar um novo formulário. Como o nosso portão era o 60 (aka o último) tinha certeza que estávamos longe e perguntei quanto tempo tínhamos para fazer todo esse trâmite e ela me respondeu: “8 minutos”. Eu aleguei que estávamos muito longe pra atravessar o aeroporto com bagagem de mão, preencher formulário e voltar em apenas 8 minutos e ela só me respondeu: “sem o papel você não deixa o país, quando mais você ficar falando comigo mais tempo você perde”. Como o Thiago não fala espanhol, larguei ele com a mala mais pesada e saí correndo desabalada aeroporto afora e cheguei na Polícia Federal em tempo recorde e ele me indicou a migração. Cheguei lá, expliquei nossa situação para o funcionário e se eu pudesse transcrever a velocidade em que ele preenchia o formulário, eu só terminaria esse post em dezembro. Aí ele catou colocou meu passaporte de lado e começou a preencher o do Thiago na mesma velocidade. Então eu perguntei se podia pegar o meu e correr pra tentar conseguir segurar o avião e ele me entregou meu passaporte e eu saí correndo que quando cheguei no portão 60, nem sabia como respirava.

Mas, enfim, conseguimos embarcar. Quando chegamos no avião, como absolutamente todas as pessoas do vôo estavam separadas de seus companheiros de viagem, foi uma demora enorme até que todos os passageiros parassem de trocar entre si e conseguissem ir lado a lado com quem queriam. Nisso o assento que me sobrou estava completamente encharcado. Falamos com a aeromoça, chamaram um cara que trocou o assento por um outro, que por ser de outro modelo, não encaixava. Aí ele colou com fita isolante, ficou uma coisa horrorosa, bamba, troncha e eu me recusei a ir naquilo. Foram trocar de novo – e o comandante dando as ordens pros comissários de que ia decolar – aí a comissária da primeira classe me vê de pé e vem furiosa me esculachar pra que eu me sentasse. Aí eu só aponto e digo que se tivesse assento estaria sentada, feliz da vida e toda a classe econômica se diverte. Passam mais alguns minutos e, enfim, a situação se resolve.

Aí encaramos 9h de um vôo tranquilo, chegamos em Guarulhos no tempo previsto e tudo ótimo. Na hora de pegar nossa bagagem nossas malas foram só as últimas a chegarem. Saindo de lá equilibrando o nosso quinhão de bagagem, a senhora da Polícia Federal olha pra nossa cara e nos manda pra Alfândega pra termos a mala revistada. ORLY!! Eu só quero chegar em casa…

Passaram no raio-X, como tinha Centrum pra minha vó, pra vó do Thiago, pra minha mãe, pra minha tia, pra amiga da minha mãe, pro meu pai, pro meu tio, pro periquito, pro cachorro e pro gato, a menina disse pra policial: “a mala tá cheia de vitamina”. E aí toca a policial simpática (NOT!) abrir e revirar T-O-D-A-S as nossas malas. Pediu nota de tudo, olhou etiqueta por etiqueta de cada roupa que comprei na Forever XXI – ou seja, abriu minhas vacum bags – e até o saco de roupa suja ela revirou. Depois de uma boa meia-hora revirando tudo, bem desgostosa por não ter conseguido pegar nada pra taxar a gente, elas nos liberou. E aí como ela tirou o vácuo, quem é que disse que as malas fechavam depois!!! =P

Depois de encontrar meu pai, indo rumo ao estacionamento, na rampinha de acesso da calçada pro estacionamento tinha uma cratera, o carrinho virou e minhas malas caíram no meio da rua. Eu bem que disse que essa volta pra casa estava regida pelo signo de Murphy… Recolhi tudo, e enfim segui meu caminho. Lotamos o porta-malas do meu pai e conseguimos chegar em casa. E entre mortos e feridos salvaram-se todos e já estamos nós prontos pra outra. Ufa! =P

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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3 respostas a A odisséia do retorno

  1. vanessinhamoore diz:

    Eu nunca vi pessoas com tanta sorte pra ter problema em aeroporto! Vocês são premiados, não é possível! O importante é ter história pra contar, apigue! Imagina se um post sobre uma viagem tranquila seria interessante? =*

  2. laila diz:

    HAHAHAHAHAHAHAHAHA, espero só que meu iPhone tenha vindo intacto! ;)

    • t4yra diz:

      Surrealmente, a única coisa que poderia ser taxada era o seu iPhone e tava na mochila do Mar, que foi a única coisa que ela não olhou – ahahahaha. Eu ainda perguntei se ela queria olhar e ela disse que não tinha necessidade. =D

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