A minha mudancinha pro mundo

Minha mãe é pedagoga, por conta disso a educação formal sempre teve um valor muito forte lá em casa. Mesmo nas épocas mais complicadas em que meu pai perdeu emprego e tal, nunca deixamos de estudar em boas escolas e a nossa política sempre foi de que podia cortar grana de qualquer coisa, menos da educação. E eu acho que apesar de “não ter a ver” isso tem muito a ver sim, porque eu aprendi esse lance todo de reciclagem na escola em 1988, quando não era nada nem perto de ser moda.

Lá em casa a gente começou a separar o lixo comum do reciclável em 1991, ou seja, já são 21 anos fazendo isso, é uma coisa mais do que automática, e me dói quando tenho que jogar o lixo todo misturado. Aqui em casa me orgulho de cerca de 85/90% do nosso lixo ir para a reciclagem. No carro eu tenho a lixeirinha do lixo comum e uma sacola para colocar o reciclável.

Por isso quando eu vi que no #photoadayaug tinha um Arrow como missão, não tinha como eu escolher outro tipo de seta, né. Porque eu sou muito alacka da reciclagem.

Eu chego ao cúmulo de deixar bilhetinhos pras camareiras dos hotéis que em tal sacola tem lixo reciclável e, a história mais engraçada, em 2010, quando fui pra Buenos Aires, falei com o recepcionista do hotel onde eu poderia deixar a reciclagem e ele disse: “ah, você é de São Paulo, cidade acostumada com isso. Aqui a gente infelizmente não separa”. O que eu fiz? Não pensei duas vezes, botei as sacolas de lixo reciclável na minha mala e trouxe pro Brasil. Juro. Me dói jogar algo que pode ser reaproveitado no lixo comum. Eu não consigo, é mais forte do que eu. O Thi já foi catequizado, mas de vez em quando dá uma derrapada. Por isso, quando ele fica na dúvida, ele deixa em cima da pia pra eu decidir se é reciclagem ou não. Outra que já aprendeu direitinho, depois de trabalhar pra minha mãe e pra mim é a Francisca, ela já separa tudo direitinho, além de reaproveitar várias coisas (que é uma outra ótima maneira de reciclar). Pode não ser uma grande revolução, mas é um pequeno passo que se dado por vários pode significar uma grande mudança. E nem custa muito, nem dá trabalho.

O meu condomínio separa o lixo, mas o meu eu entrego pro meu pai, que dá pro Vanderlei – que é um catador que pega a nossa reciclagem há séculos e é uma pessoa fantástica e de quem eu gosto muito. E como ele ganha por quilo, sei que isso faz muita diferença no orçamento dele e continuo dando a minha reciclagem pra ele. Fora isso, a Prefeitura de São Paulo implantou alguns Ecopontos que recebem esse lixo reciclável, além de ter uma coleta seletiva, que eu não sei exatamente os dias que passa e se funciona muito bem. Sei também que o Pão de Açúcar recebe reciclagem. Mas ainda acho que uma ótima pedida são os catadores, porque eles fazem um trabalho super sério, sem falar que você tá ajudando um ser humano, além de estar ajudando o planeta, né!

Falei aqui baseado na minha realidade e na realidade de São Paulo, que é a cidade onde vivo. Não sei exatamente como funciona em outros lugares. Sei que em cidades menores, como por exemplo em Caxias do Sul, há sistemas exemplares de coleta seletiva. Queria saber um pouco de vocês como funciona isso onde vocês moram e na casa de cada um. Mais uma vez reforço, eu acho que catador de papel tem em todo lugar, por isso que dei essa dica. ;)

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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5 respostas a A minha mudancinha pro mundo

  1. Alice diz:

    Levei muito tempo tentando convencer o pessoal em casa a separar, até que o marido de minha mãe resolver colaborar e agora separamos tudo. Aqui em Curitiba tem coleta seletiva, mas também tem muitos catadores, que acabam levando o lixo normalmente. Hoje, percebo que a maioria do lixo que produzimos é reciclável, e também tenho uma dorzinha no coração quando acaba no lixo comum. Ainda não estou em seu nível de dedicação, mas já demos um passo grande aqui em casa, espero que logo seja rotina e façamos sem perceber!

    Beijo.

    Alice

  2. sininhu diz:

    Eu tb sou meio freak com essas coisas de reciclagem!
    Aqui em Caxias realmente é bem estimulado isso de separar o lixo, há em quase todas as esquinas (pelo menos nos bairros mais centrais) 2 containers de coleta, um seletivo e outro orgânico. Esse é um dos pontos positivos daqui. Porém, esse sistema é atual. Quando eu era criança sempre quis separar o lixo bonitinho para a reciclagem, mas não havia quem recolhesse e nenhum lugar próximo para poder levar. Os catadores também são bem atuais por aqui, antigamente eles passavam apenas nas lojas recolhendo caixas mesmo.

    Mas sabe que mesmo com todas essas facilidades que a cidade propõe aos cidadãos daqui, muita gente ainda não separa o lixo… alguns até tentam, mas não sabem como fazer. A prefeitura teve que distribuir recentemente alguns panfletos ensinando o que é reciclável e o que não é. É triste abrir a lixeira do seletivo e encontrar até entulhos de obras ou lâmpadas (esse último acho que é o maior erro cometido sempre).

    • t4yra diz:

      Sy,

      eu acho que o problema maior é esse, as pessoas não sabem como e o que reciclar, falta que se ensine isso nas escolas e que haja algum tipo de programa que mostre e incentive as pessoas mais velhas a fazerem isso. A minha sogra mesmo antes só separava garrafa pet, todo o resto (até latinha) ia pro lixo comum. Eu que fiquei ensinando várias coisas. A vó do Thiago é um exemplo, precisa ver que graça, separa tudinho. Acho que além de boa vontade das pessoas, também falta um envolvimento maior dos governos para que a coisa exista e funcione. Eu vi várias matérias falando sobre esse novo sistema de Caxias do Sul e fiquei encantada, achei o máximo, mas na matéria mesmo eu vi muita gente dizendo que não é todo mundo que entra na onda… É muito complexo.

      Mas aqui os catadores sempre pegaram lixo/sucata nas casas, então se tiver um pouco de boa vontade, dá pra fazer algo bem legal. ;)

  3. Aqui em Belém/PA não tem nada disso não. Outro dia até passou um gari aqui em casa, deixando um saco enorme dizendo que era para coleta seletiva, dizendo que em determinado dia da semana ele ou qualquer outro passaria para pegar mas até hoje nada, já deve ter um mês isso. E eu sempre tive muita vontade de aderir, sabe, pq eu acredito que cada um fazendo a sua parte, o mundo pode se tornar um lugar melhor, maus saudável e mais limpo, além de cooperativo, né? Agora mais no interior do Pará, como Carajás, que é onde meu irmão mais novo está trabalhando e morando atualmente, a coleta é exemplar. Lá é obrigação do cidadão fazer a separação do lixo para reciclagem, mas é por causa da Vale do Rio Doce, que tem uma forte presença na região e que emprega a maior parte das pessoas que moram lá, né. Mas acho muito digno, viu, isso devia virar lei no Brasil inteiro, acho que está mais do que na hora de isso acontecer. Se até os sacos plásticos nos supermercados já estãos sendo extintos, separar o lixo para reciclagem é um passo tão básico que é incrível ainda não fazer parte do nosso cotidiano. :\

    Beijos

    • t4yra diz:

      Super concordo, Claudinha e acho que há mesmo pouco envolvimento dos governantes. Aqui em caso eu faço porque sou habituada e é uma iniciativa particular minha. Mas sei de muita gente que tenta e quer separar a reciclagem e não tem onde entregar, despachar esse lixo reciclável. É uma pena, né! Acho que há muito pouca mobilização nesse sentido. :(

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