De quem foi a ideia de arrumar um irmão pra mim?

Segundo a minha mãe foi minha mesmo, que vivia pedindo que ela me desse um irmãozinho ou uma irmãzinha. Mal sabia eu que estava arrumando sarna, muita sarna, pra me coçar e que a partir do momento em que o meu irmão chegasse ao mundo minha vida seria muito mais turbulenta.

Este post tá saindo bem mais tarde do que deveria porque o destinatário me pediu um bolo igual ao da Bia e eu passei o dia todo preparando o dito-cujo. E hoje, 7 de setembro, dia da independência do Brasil é aniversário da pessoa que, sem sombra de dúvidas e concorrência, é quem mais apurrinhou e infernizou a minha vida. E nós que nascemos e fomos gerados no mesmo ventre, tivemos a mesma criação e somos quase a antítese um do outro, diamentralmente diferentes.

Quando eu tinha quase 2 anos, minha mãe egravidou e ao longo dos nove meses foi conversando bastante comigo sobre o bebê que estava em sua barriga e que viria a ser meu irmão ou irmã. Me lembro muito bem da gravidez dela, embora muita gente duvide, pelo fato de eu ser muito novinha. E quando eu tinha 2 anos e meio (e 2 dias), em 40 minutos de um rapidíssimo trabalho de parto, ganhei a pessoa com quem eu mais brigaria, trocaria tapas e socos, bateria boca (eu sou über teimosa, mas meu irmão consegue ser 100 vezes pior. Reflita!) e também dividiria muitas traquinagens e maravilhosas lembranças. Inclusive tem a clássica história de que eu queria levar ele pra escolinha pra mostrar ele pra todo mundo, e eu estudava numa escola chamada Miudinho em Santana (acho que essa escola ainda existe) e minha mãe me deu a resposta: “mas seu irmão é muito miudinho pra estudar no Miudinho”.

Os dois anos e meio que nos separam no começo eram muita coisa (eu era uma menininha e ele um bebê), mas logo deixou de existir e rapidamente éramos duas crianças partilhando juntos a descoberta pela vida – ah, que bonito e filosófico – ahahaha. E na infância fizemos mirabolâncias muito bem elaboradas, inclusive inventar um irmão fictício para ganhar um presente extra do Papai Noel. Foram diversas viagens a Salvador (imagine essa viagem de mais de 2 mil quilômetros no banco traseiro de um carro), um sem número de idas a Cachoera Paulista – e tudo e mais um pouco que já fizemos na fazenda (trepar em árvores, acompanhar a ordenha das vacas, nadar no rio, brincar de gato-mia com os primos etc. etc. etc.), sem falar naquela pipoquinha com queijo da pracinha. Outras tantas vezes foram as nossas idas a Guaratinguetá. Outro de nossos programas favoritos eram os Passeio do Fusca, que fazíamos a bordo do Hermes. Era diversão mais do que garantida.

Ao longo dos anos fomos desenvolvendo uma linguagem/gíria muito própria pra podermos falar um com o outro sem gente de fora sacar muito do que se tratava. A quantidade de piadas internas então, nem se fala… Aí quando virei adolescente e ele um pré, eu peguei birra daquele pirralho, até que ele virou adolescente também e quando tinha seus 15 anos passamos a nos dar muito bem. Porém nesse meio tempo a gente só faltou se matar – literalmente, naipe porta do quarto sendo quebrada, cadeiras voando, cabeçada na boca e muitos socos, tapas, chutes e similares – a coisa era bem tensa. Vivemos um razoável período de calmaria, até que o clima voltou a esquentar e continua como um caldeirão borbulhante até hoje.

Mas acho que irmão é isso, né! Compartilhar um sem fim de coisas boas e outro tanto de brigas homéricas. Afinal, que graça a vida teria se tudo fosse sempre calminho, cor de rosa e perfeito?! As memórias impagáveis, essas ninguém vai nos tirar (nem litros e mais litros de café – piada interna detected) e eu sempre vou dar muitas gargalhadas lembrando que ele tem lordose, escoliose, sifolordose e por aí vai…

É claro que no meu casamento ele estava lá no altar, junto com os padrinhos e foi o maior responsável pelo mar de lágrimas que correu por lá – porque ele chorou mais do que todas as madrinhas juntas e ainda fez com que eu desabasse no choro que eu estava contendo bravamente.

Hoje em dia os nossos caminhos tem ido pra lados bem diferentes, temos tipo bem pouco contato (quando eu vou na minha mãe, raramente ele está por lá e aí a coisa fica mais na base do “manda um beijo pro Tato” e algumas conversas por telefone), mas tenho certeza que esses caminhos se cruzarão muitas e muitas vezes, e que, mesmo o aniversário dele sendo em feriado e que quando calha de ser prolongado ninguém aparece pra comemorar com ele, com essa irmã mais velha e pentelha ele sempre vai poder contar pra estar lá pra cantar (ainda que solo) “uma porção de pique”. Parabéns, Tato. <3

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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3 respostas a De quem foi a ideia de arrumar um irmão pra mim?

  1. Schwarz diz:

    Chorando mais alguns litros (kkkkkkkkkkkkkkk), mas muito feliz por ter uma irmã como você que, mesmo com um desentendimento ou outro, sempre está presente pra me estender a mão numa dificuldade ou me mostrar que posso estar (muito) errado nas minhas escolhas. Amo essa irmã chata, pentelha, mal humorada (nem sempre), alegre, amiga, companheira…
    Obrigado por ser minha irmã mais velha!

  2. Fabíola Cavalcanti diz:

    Fofo.

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