São Cosme e Damião

Eu soteropaulistana da gema, filha de baiano, nascida e “vivida” em São Paulo, por isso acabo tendo em minha formação bagagens muito distintas – acho que por isso que sou essa pessoa tão cheia de manias e achismos (quem manda beber de várias fontes – hehehe). E eu sou filha de uma católica com um ateu, mistura boa que deu em mim que creio em Deus, mas que não tenho nenhuma crença muito definida, porque tenho minhas reticências diante de várias religiões (isso é fruto da metade atéia da minha criação – hehehe). Mas no fim, São Cosme e Damião sempre foram figuras muito presentes na minha vida.

Eu cresci no Jaçanã, um bairro que faz divisa com Guarulhos, mas que não é tão no fim do mundo, como muita gente pensa graças à música do Adoniran Barbosa, uma vez que estamos a apenas 10km do Centro. Mas enfim, o bairro, na minha infância era formado essencialmente por famílias católicas e a imensa maioria tinha a figura da avó morando com eles. Essas avozinhas católicas eram a responsáveis por, ano a ano, bater de porta em porta enchendo a criançada da Rua Santa Irene de doces todo dia 27 de setembro. Especialmente a Dona Luzia, figura queridíssima, que fez isso até o último ano de sua vida, e eu já tinha uns 17/18 anos e ainda assim ganhava meu saquinho de doce.

Já em Salvador, por conta da forte influência africana, a tradição é fazer o Caruru de Cosme, onde a pessoa oferece uma festa, regada a caruru para várias pessoas, mas as primeiras a comerem da iguaria são sete crianças. O curioso é que a pessoa que oferece a festa tem que estar vestido de branco e e as crianças comem o caruru com as mãos e depois limpam na roupa do anfitrião. Essa é a tradição certinha, conforme meu pai e tios me explicaram, mas fui em um Caruru de Cosme em 2005, que a anfitriã não estava de branco e tampouco as crianças comeram com as mãos, mas as sete foram as primeiras a se servir.

Mas o fato é que, não sei se porque não moro mais no Jaçanã, ou se com o crescimento das Igrejas Evangélicas, o fato é que há muito tempo é que não vejo essa tradição dos doces no dia 27 de setembro. E aí que esse ano decidi resgatar isso, já que faz parte de memórias muito doces da minha infância (e isso nem é um trocadilho infâme). Entrei em contato com a Aline e a Dora (a Dora é amiga da minha mãe desde sempre, e a Aline minha idem – fizemos ballet juntas desde pequenas) – elas cuidam da Obra Social André Marcel e fazem um trabalho lindo com a comunidade local. Há vários anos a Aline montou um projeto de artes e as crianças tem aula de dança e teatro, inclusive competem em vários campeonatos e já conquistaram prêmios. E eu sempre acompanhei de perto, e sei o quanto se dedicam e fazem algo sério e respeitoso. E aí pensando num número grande de crianças, de cara lembrei da Obra. Entrei em contato com elas, levantei mais ou menos quantas crianças participavam dos projetos de lá e fiz os saquinhos.

Deu um trabalhão, tive uma ajuda da Bia pra fazer a contabilidade dos sacos de bala e também pra cortar os fitilhos – ao que ela denominou de corno-job – mas foi muito gostoso de fazer ao mesmo tempo. E tenho certeza que as crianças de lá da obra vão ficar muito felizes ao receber os saquinhos. Aproveitei e fiz pras crianças lá da Rua Santa Irene e deixei com a minha mãe para ela entregar e para as crianças do meu prédio e para os filhos dos porteiros e também fiz para alguns filhos de amigos, porque criança adora um doce, né, gente!!!

E gostei tanto de ter feito, me fez um bem tão grande que já decidi que vou fazer todos os anos.

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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6 respostas a São Cosme e Damião

  1. Fabiola diz:

    Que fofo Tayra ,parabéns! Quero um saquinho também rsrsrs.

  2. angelaernesto diz:

    Cresci ganhando doce de Cosme e Damião e acho muito legal toda a história e tradição, mas lembro que tinha uma amiga que a mãe dela não deixava ela pegar o saquinho, dizia que era coisa de macumba (eles eram evangélicos) uma pena.

    Adorei sua iniciativa :)

  3. Muito legal Tayra. Este é um dia especial pra mim, sou da UDV e estou em um núcleo de nome São Cosmo e São Damião. Tenho tb “doces” lembranças do dia em minha cidade natal, onde uma casal fazia uma mesa no meio da rua entupedada de guloseimas, mas em especial uma boa alimentação para aqueles que noutro jeito, não tinham.
    Licença pra coipar sua ideia?

  4. Big diz:

    Contarei balas e cortarei fitilhos por muitos anos ainda…=D

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