Eleições – essa é a nossa hora da virada

Tô enrolando com esse post desde que o horário político começou a ser exibido, mas aí eu tava sem tempo ou sem paciência pra aguentar o debate que isso poderia render e acabei protelando até onde deu. Mas as eleições para prefeito já são esse domingo, por isso não dá mais pra fugir.

A questão maior é que a maioria das pessoas não se dá conta de quanto o processo eleitoral é uma coisa séria e importante – por mais que os candidatos em geral não nos agradem. Apesar da obrigatoriedade do voto no Brasil e de ele ganhar status de dever, ele é um direito bravamente conquistado. Felizmente vivemos numa democracia, ainda que ela seja muito mal exercida. E democracia é um regime de governo onde o poder de tomar decisões políticas está com os cidadãos. E é primordial que a gente saiba como lidar com esse poder, que saiba como exerce-lo de uma maneira que ele tenha valor. Não é o Ficha Limpa que vai mudar o País, e sim o nosso comportamento. Eu nunca precisei de lei alguma para saber quem eram os meus candidatos e se eles eram merecedores do meu voto. Eu sei quem eles são e de onde vieram. Nunca, jamais, escolhi um candidato (principalmente os do legislativo, a quem a maioria das pessoas não se importa muito em quem vai votar) na base do uni-duni-tê, ou porque é meu amigo, ou primo de fulano. Escolhi sempre com a consciência do que aquele voto implica.

O Danton, que é um amigo meu e tem uma visão política muito parecida com a minha, disse brilhantemente que os políticos sairam da mesma sociedade em que vivemos. Eles não vieram de outro planeta para se candidatar, enquanto a sociedade aceitar o “se eu não levar vantagem um outro vai”, vamos continuar nesse círculo vicioso. Mas aí as pessoas não tão nem aí, dizem que político é tudo igual, que só tem ladrão, mas nem mesmo prestam atenção em quem estão votando e aí já viu o resultado. O engraçado é que depois, pra ficar no Facebook bradando a indignação, fazendo montagens com fotos e frases, se achando super engajado, todo mundo é muito bom. Antes de fazer protesto em rede social, é melhor aprender a votar, pesquise seu candidato, use seu voto com sabedoria e pare de eleger ladrões. É muito simples, não tem nada de complicado…

Vale lembrar que as principais roubalheiras acontecem nos cargos legislativos (vereadores e deputados) e não nos executivos (prefeitos, governadores e presidente), e que para o legislativo o que não falta é boa opção. Mas neguinho vota em qualquer um, nem lembra quem foi o deputado que recebeu seu voto em 2010, como é que vai querer cobrar algo? Assim fica difícil, muito difícil. Eu uso meu voto conscientemente, e se todo mundo fizesse o mesmo com o seu, a gente teria um Brasil melhor e muito menos protestos no Facebook.

Eu sou uma pessoa que por toda minha história de vida tive uma formação polícia de esquerda, desde muito cedo. Aos quatro anos de idade, eu ia de cavalinho no ombro do meu pai participar de passeata pelas Diretas. Com 13, eu pintava a cara e vestia preto para cobrar o impeachment do Collor. Enquanto meus amigos sonhavam em fazer 18 anos pra tirar habilitação, eu sonhava em fazer 16 para poder votar. Inclusive, quando completei essa idade, foi a primeira coisa que fiz no dia do meu aniversário – fui até o Cartório Eleitoral pra tirar o meu título, mesmo aquele não sendo um ano eleitoral. Depois eu fiz faculdade de História, e foi assim que minha formação política se distanciou muito da dos meus pais, apesar de continuar totalmente de esquerda. Só que parei de acompanhar o voto deles, pois passei a ficar mais atenta ao discurso e prática dos que recebiam meu voto pra ver se eram merecedores de receber meu voto no futuro.

Inclusive, meu distanciamento do PT começou muito antes disso que a imprensa deu o nome de mensalão, que tem um grande teor de verdade, mas que tem uma enorme dose de espetáculo midiática e jamais me convenceu. No meu caso, eu comecei a me desiludir com o PT ainda em 2002, antes mesmo do Lula se eleger, mas quando a Marta já era prefeita de São Paulo e eu percebi que o mote do partido era fazer um governo populista, esmoleiro, para garantir o voto da população mais carente. Esmola que não necessariamente se reverteria em benefícios reais. Claro que votei no Lula, que naquele momento era a opção mais adequada com a minha visão política, mas ele repetiu em âmbito nacional o que já faziam em São Paulo. E aí eu vi que, definitivamente, o PT não teria mais nenhum voto ideológico meu. Talvez (e muito provavelmente) um voto útil ou de segundo turno, mas não seria mais a minha primeira opção. E independente do posicionamento político de quem está lendo ser de direita ou de esquerda, o que realmente importa é que você se posicione, que tenha seus ideais e diretrizes e saiba como conduzir seu voto.

Falando exclusivamente da eleição da capital paulista, veja a situação das pesquisas: o líder das pesquisas é asqueroso, em segundo lugar vem o líder de rejeição, que vem tecnicamente empatado com o candidato que receberá meu voto depois de uma bela dose de Engov caso passe para o segundo turno, e em quarto lugar, temos um mix do que de pior São Paulo já viu. Eu já postei a respeito disso no meu Facebook, mas acho bem válido postar aqui também, porque acho que se temos voz, temos que tentar nos fazer ouvir. Já ouvi algumas pessoas que até concordam com o meu voto, mas que me condenam por “desperdiça-lo”, uma vez que meu candidato tá em sexto lugar nas pesquisas e não tem chance nenhuma, que eu deveria dar voto útil pra tentar livrar a cidade de um segundo turno Russomano X Serra. Mas para que serve o 1º turno? Esse é o momento da eleição em que devemos escolher o candidato que mais esteja de acordo com o que acreditamos. No 2º turno, onde temos apenas duas opções, aí sim, a gente remaneja o candidato para que chegue mais perto do que acreditamos e esperamos. Ou seja, chega de dar voto útil no 1º turno. Se a gente pensar sempre assim, a briga sempre vai ficar entre PT, PSDB, DEM, PP, PMDB, os outros partidos e candidatos nunca terão chance.

E eu acho que, independente do que as pesquisas dizem, a gente pode fazer a nossa virada. Em 1988, São Paulo derrubou todos índices e elegeram alguém que ninguém supunha, numa virada histórica. Por que não podemos repetir a dose? Eu acho que se você tem uma formação intelectual mínima e um acesso menor ainda a informação, você não vota no Russomano de jeito nenhum. Agora, se você tá cansado de tomar olé do Serra, que recebeu seu voto pra prefeito e governador e depois abandonou o cargo pra concorrer ao cargo hierárquico seguinte, também não deve votar mais nele. Se você se desiludiu com o PT ou não vota 13 por puro preconceito, também não vai fechar com Haddad. E é claro que no Chalita, que é um híbrido de Quércia, Maluf e Alckmin, você que tem consciência também não vota.

Por isso, se você está insatisfeito com essas 4 opções que ocupam os primeiros postos das pesquisas eleitorais, proponho aqui um flashmob eleitoral. O meu voto é declaradamente do Giannazi, que foi meu candidato a deputado nas últimas 3 eleições, sempre lutou muito pela educação e nunca me decepcionou (como já disse antes, eu acompanho a carreira e desempenho daqueles que recebem o meu voto). Por que não fazemos um segundo turno de Giannazi e Soninha? As pesquisas apontam eles em quinto e sexto lugares, mas leva-los ao segundo turno só depende de nós, afinal, o voto é nosso e somos nós que escolhemos quem vai ou não nos governar.

Vale lembrar que a lenda do voto nulo, de que se X% anular será convocada uma nova eleição é completamente falsa. Se computam apenas os votos válidos, se todo mundo anular e o candidato Fulano votar nele mesmo, ele se elege com um único voto e 100% dos votos válidos. Ou seja, a partir do momento que você anula, você está, na prática, dando o seu voto para o primeiro colocado, porque a porcentagem de votos válidos dele vai aumentar a cada voto anulado.

E eu não poderia deixar de mencionar o meu repúdio às pessoas que do nada tem um estalo, acham que são populares ou engraçados e, ôpa, vão se candidatar a um cargo público, afinal de contas, que maravilha, vamos todos nos pendurar na teta do governo, né! Ganhar um belo salário, conseguir alguns cargos de confiança pra amigos e aparentados, porque eles estão cagando e andando pra gente, a maioria não tem nem mesmo proposta alguma. Isso é patente, quando você uma série de famosos e sub-famosos se candidatando exaustivamente. Separei algumas pérolas do horário eleitoral de São Paulo, e de seus slogans e “propostas” surreais:

– Dinei – “fui, uh, uh” – sério, o que esperar de um cara que vai pra reality show mijar na roupa alheia? Proposta nenhuma, só aparecer e fazer graça pra tentar levar a galera nos moldes do Tiririca.

– Vovó da Fiel – “fomos campeões da Libertadores, agora é nóis na câmara. Eu defendo a nação” – sério, é isso que ela fala. Ela vai fazer um governo para (e somente para) os corintianos? Vai chegar na câmara e gritar: “Vai, Curíntia”?

– Samantha Moraes – “você me conhece, sou a mulher que foi trocada pela Bruna Surfistinha. Conheço a dor da traição, por isso não vou trair seu voto”. ORLY!!! Sério, qual é a dela? Conseguir voto de cornas recalcadas?

– Serginho Orgastic – “fiz a louca no BBB, agora vou fazer a louca na câmara” – ah, gente, pelo amor de Deus. O cara que sempre adorou causar em tudo quanto é lugar, chamando atenção pelo seu visual andrógino e “cheguei”. Alguém acredita mesmo que ele é capaz de exercer um bom mandato?

– Mulher Pêra – essa pra mim é o supra-sumo do que me dá mais asco em candidatos oportunistas. Ela se vale do corpo, rebola, sensualiza e, juro, pintou o seu número na bunda usando o cu como um dos zeros. E eu não estou brincando, clique aqui pra conferir.

– Marquito – “esquisito por esquisito, vote no Marquito”. Esse pensou: se com o Tiririca deu certo, por que não comigo? Porque até o slogan é similar. O cara é o escada, capacho e afins do Ratinho, não faz proposta alguma, mas acha que sua “fama” é suficiente.

– Doutor Kim -um candidato de ascendência coreana, fala rapidinho que com a força do Senhor quer ser nosso vereador e no final do tempo manda um “Gangnam Style”. Ou seja, sem proposta, aproveitando o sucesso do momento, pra se fazer de engraçadão.

O pior de tudo é que tem gente que cai nessa e dá voto pra esse tipo de gente. Sério, galera, levem a sua missão de eleger alguém a sério. Por mais que você não goste de política, não seja o tipo de gente que acompanha isso diariamente, isso não é motivo pra brincar na urna, né! Ainda faltam dois dias para eleição, por isso dá tempo de você dar uma fuçada naqueles em que está pensando em votar. Pegue jornais e revistas, jogue no Google, busque mais informações e faça bem o seu papel no processo eleitoral.

366/258

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
Esta entrada foi publicada em Desabafinho com as etiquetas , , , , , , . ligação permanente.

2 respostas a Eleições – essa é a nossa hora da virada

  1. Danton diz:

    Tay, a situação ai tá dificil hein, pelo menos aqui temos um candidato em segundo que vale o voto. Boa sorte e melhoras pra São Paulo. :)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s