A primeira corintiana que entrou no meu coração

Cata a velhice e o momento de entregar a idade… Mas a história é que eu estudava no Isaac Newton, e a escola que já era tradicional como supletivo, tinha há cerca de 3 anos iniciado os trabalhos como uma instituição de pré escola, 1º e 2º grau (sim, eu sou da época em que não existia Ensino Médio e Ensino Fundamental). A escola era nova e eu fui parar lá logo quando a escola abriu, porque minha mãe tinha feito faculdade de Matemática com o diretor, e sabia do seu comprometimento com educação. E assim, em 1991, eu entrei no Isaac, na minha 7ª série, com uma turma super pequena, de 9 alunos (2 meninas e 7 meninos), mas que ao longo do ano foi crescendo e chegou a 16 alunos (com transferência de alunos da manhã para o período da tarde). No ano seguinte, ainda estava numa turma pequena: éramos 12, mas até o fim do ano chegamos a 19. Isso fez com que a nossa turma de 7ª e 8ª fosse muito unida, já que por sermos poucos, a relação com todos acabou sendo bem próxima.

Até que, no ano seguinte, fomos obrigados a ir todos pro período da manhã, já que só tinha colegial nesse período e lá fomos nós. Nesse meio tempo, o Isaac começou a firmar seu nome como boa escola e aí em 93 rolou um boom de procura por matrícula, com lista de espera e o escambau. Os alunos tinham prioridade de matrícula e depois a mesma foi aberta para transferências. Com isso, meu 1º colegial (eu era da turma do Regular, porque o Isaac também tinha Técnico em Processamento de Dados) acabou com 41 alunos, e teve gente que se matriculou no técnico, porque não conseguiu vaga no regular (e acabou se transferindo no 2º ano).

Imagina o choque, de uma turminha micro-mini de menos de 20 alunos, passamos pra uma imensa, com mais de o dobro. Mais da metade era composta por alunos novos, mas também juntamos as 8ªs da manhã e da tarde. E ali foi o momento de adaptações até para quem já era do Isaac. Sei que naquela época, eu e a Fernanda (que já tinha estudado comigo na 8ª série) viramos da turma do fundão. E uma das meninas novas foi parar na turma da frente, das CDFs (ok, mas não se engane – hehehe), ela era morena, e a primeira coisa nela que me chamou atenção é que ela tinha uma mania de ficar chacoalhando a perna. Ela era toda roqueirinha, apaixonada pelo Axl Rose e de cara virou namorada do menino mais gato da escola, por quem todo mundo tinha uma certa paixonite. E sem exageros, ele era muito parecido com o Brad Pitt em começo de carreira: loiro, cabeludo, olhos claros. E a novata levou o coração dele. Ponto pra ela.

Confesso que nesse primeiro colegial, nosso contato foi quase nulo, o que eu sabia dela era: namorava o Amaury, era apaixonada pelo Axl Rose, era corintiana e morava na Tanque Velho (porque eu sempre via ela entrando na casa, quando tava vindo embora). Fim.

No segundo colegial a sala deu uma bela reduzida, vieram alunos do técnico e até alguns outros de fora e fechamos a turma em 28 alunos. Nessa época, com uma sala já menor, uma paixão “em comum” nos aproximou um pouco: eu era a palmeirense fanática da sala e ela a corintiana, e éramos as poucas meninas apaixonadas pelo esporte na época. Foi no nosso 2º colegial que rolou a Copa de 94, quando o Brasil foi tetra e isso serviu para que a gente começasse a conversar de fato.

No terceiro colegial, a turma era basicamente a mesma do ano anterior, e isso fez com que já rolasse uma empatia maior entre as muitas panelas e marcou-se que a sala era completamente dividida, havia uma metade das meninas que sentava perto da porta (a turma da Daniela), a outra metade que sentava perto da janela (a minha turma) e os meninos formavam uma espécie de Faixa de Gaza, uma vez que transitavam bem entre as duas turmas, que mal se falavam. Com o passar dos meses, rolou um teretetê, que fez com que, de certa maneira, a Daniela migrasse da turma de perto da porta para a turma de perto da janela, onde permaneceu até o final do ano. E foi nesse período que eu e a Daniela fomos nos aproximando de fato e nos tornando amigas.

Terminamos o colegial e fomos fazer cursinho juntas, eu queria Jornalismo e a Dani queria Direito, e caímos na mesma sala de Humanas do Etapa. E foi ali que selamos definitivamente a nossa amizade, que segue firme e forte, até os dias de hoje. A gente aprontava tanto, tanto, tanto, que fomos parar na diretoria do cursinho. Já viram isso? Pois é, eu e a Dani vimos.

Mais ou menos nessa época, a gente saiu para nossa primeira incursão à Zona Leste, pra chegar até o Corinthians, no dia do aniversário do Silvinho (lateral esquerdo da época), verdadeira paixão da vida da Dani. E lá fomos nós, achando que o Carrão era o maior Bronx, e no metrô fomos escondendo brincos, pulseiras, colares e relógios – hahahahaha. Mas antes, eu tinha descoberto endereço e telefone dele e saímos atrás da casa, na Pompéia, mais especificamente na Rua Cajaíba. Batemos na porta, com cartão de aniversário e tudo mais, e descobrimos por um vizinho que ele tinha acabado de se mudar, mas que pelo horário deveria estar no Corinthians. Aí lá fomos nós, voltamos pro metrô e pegamos o dito-cujo rumo a Zona Leste. Chegando no Corinthians, óbvio que a gente não conseguiu entrar, mas do nada, eu olho pro lado e dentro de um Gol Branco, quem está lá? Silvinho. Quando falei pra Dani, ela até ficou sem fala, paralisada, sem reação. Ele foi super fofo com a gente, deu autógrafo (usando a minha caneta rosa que virou a Caneta Mendelévia) e tudo mais, e depois entrou no clube. E isso já fez o dia da Dani valer pra todo o sempre.

Eu vi a Dani se transformar de roqueira a pagodeira, de pagodeira a sertanejeira e estou aguardando qual será sua nova onda. Pensa que as pessoas não mudam? hahahaha

Depois do cursinho, eu fui fazer História na USP, a Dani foi fazer Direito na São Judas, mas nunca perdemos contato, seja por telefone, carta (é, somos dessa época) e mais tarde por email, redes sociais e afins. Acompanhamos os nossos vários mal fadados namoros nesse meio tempo. Já gandaiamos bastante, protagonizamos uma cena de perseguição: eu a milhão no meu Fusca, fugindo como loucas do padrasto dela. Acompanhei o namoro, noivado, casamento e separação dela, e ela é claro, tava lá no dia do meu casamento. E até hoje, volta e meia a gente se encontra pra botar a fofoca em dia – e a Dani ainda trouxe a Joice pra minha vida. ;)

Já são 19 anos que a gente se conhece (ouch! Velhas!!!), 17 que somos amigas e eu tenho certeza que seguiremos assim até o fim dos tempos. E quando a gente se vê, parecemos aquelas duas retardadas de seus 17 anos, que causavam. A gente só fala merda e parece que o tempo não passou. E a tal Caneta Mendelévia foi legada a ela, verdadeira fã e merecedora da mesma, no dia do seu chá de cozinha. O próximo passo é começarmos a fazer visitas pra juntas a filharada, e eu não tenho dúvida de que isso vai acontecer.

E hoje a Dani faz aniversário, vai comemorar em Limeira e eu não vou poder estar ao lado dela, pra dar parabéns ao vivo. Mas deixo aqui no meu post o desejo das melhores coisas dessa vida e de que nossa amizade siga firme e forme por outros tantos 19 anos. Dani, parabéns e saiba que eu tô aqui para todo o sempre… <3

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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12 respostas a A primeira corintiana que entrou no meu coração

  1. Inês diz:

    nossa gente e eu q encontrei o Amaury um dia na Teodoro Sampaio ele tava numa fase ~irmão~ reclamou dos meus piercings e tentou uma conversão a jato hahaha q claro não rolou. acho tão linda a amizade de vcs! ❤

  2. Isabelle Ferreira diz:

    Isaac Newton, Tanque Velho….você foi minha vizinha de bairro, então!!

  3. Pingback: Carta para o Papai Noel – por Joice Gerodo | Teia de Renda

  4. Pingback: Carta da Daniela Fagundes pro Papai Noel | Teia de Renda

  5. Agora que percebi que não comentei aqui…. Chorei quando li a primeira vez e chorei relendo e relembrando tudo isso, vc é uma amiga querida demais e importante, mesmo a gente se vendo pouco. Mas estamos sempre juntas de um jeito ou de outro…. Amo vc!

  6. Benedita diz:

    Nossa , morri de rir lembrando o dia que, meu marido com a cara cheia de conhaque, resolveu que ia na festa com vocês e saiu a toda atrás de um fusquinha azul……

  7. Pingback: Papai Noel – por Dani Fagundes | Teia de Renda

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