Que a luz trêmula e triste como um ai, a luz de um morto não se apaga nunca!

Hoje eu e uma trupe (Silvia, Erika, Renan, Vanessa, Isa, Martha, Willian e mais outra pessoa que prefiro não citar nome) completamos sete anos de formado. O dia em que toda a tensão de um ano esteve concentrada em 90 minutos de defesa do documentário e do tema em si, de bombardeio de perguntas e de uma galera que foi lá para conferir o nosso trabalho e de certa maneira, prestar uma homenagem ao grande homem que foi Marighella (foi tocante ver alguns de nossos entrevistados arrumarem uma brecha na agenda e se deslocarem até São Bernardo do Campo pra assistir ao nosso trabalho).

Aquela hora em que todo o nosso apuro, as viagens, as infinitas horas na ilha de edição, tudo aquilo seria posto em prova. Foi quando João Batista de Andrade – diretor do filme Vlado – 30 anos depois (convidado externo), Paulo Ramos (nosso orientador) e o maletinha querido Cal Francisco (nosso convidado interno) nos bombardearam de perguntas e eu e a Silvia fomos nos colocando, posicionando e defendendo. Até que eles se reúnem e confabulam a nota. Momento de tensão máximo, daquela tremedeira básica, do sorriso amarelo.

Até que o Paulo Ramos anunciou a nota dez, e aí eu e a Silvia sabíamos que a partir daquele momento poderíamos voltar a ter noites bem dormidas. Quem acompanhou de perto o processo todo sabe que não é mentira e nem exagero, e que dormir foi um luxo, principalmente no segundo semestre de 2005. O caso da Silvia era pior, porque nem comer direito ela comia. Aqui tá o link da carta que escrevi para o grupo e entreguei no dia do TCC, que fala muito sobre o que vivemos e sofremos ao longo daquele ano. Muita coisa aconteceu e mudou nesses sete anos, mas eu reforço o que disse naquele dia, (há ressalvas e exceções obviamente) no geral eu fiz esse trabalho com gente dedicada, de bom caráter, solidária e que eu torço até hoje para que seja bem sucedida (na profissão e na vida como um todo). Foi uma honra compartilhar esse momento tão importante da minha vida com vocês.

O título do post foi tirado do soneto ‘A primeira vez em que me assassinaram’, de Mário Quintana, que esteve no nosso rádio-documentário Marighella 35 anos depois, que foi produzido em 2004 (esse contava com a Marie, além de parte do grupo do TCC), e nos muitos cortes que precisamos fazer pra que o TCC fechasse com 30 minutos, acabou ficando de fora, mas fiz questão de colocar aqui:

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Eu e Silvia, com meus pais, Guiomar, Seu Cícero e esposa.

E a luz de Marighella está muito viva, muito forte, em cada um que luta, que batalha e que sonha por um mundo mais justo, menos desigual e muito mais humano. Nesses sete anos que se passaram desde que me formei, além de ter me dado um diploma coroado com a nota dez, Marighella me dá um norte, um modo de encarar o mundo e o próximo que acho que é preciso.

366/313

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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2 respostas a Que a luz trêmula e triste como um ai, a luz de um morto não se apaga nunca!

  1. é uma vitória mesmo, q tem q ser comemorada e relembrada sempre.
    parabéns!!1

    Beijossssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

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