Minha primeira amiga

Esse post sai aos 47 do segundo tempo, mas o motivo é muito válido e ele vem ao mundo mesmo assim. Uma vez eu vi em algum lugar que os primos são nossos primeiros amigos. No meu caso isso é uma bela de uma verdade, porque em parte das minhas lembranças mais remotas de infância, ao lado do Taygoara está a Quelany, minha prima, que é 1 ano e 9 meses mais nova que eu. Já falei um pouco sobre isso aqui, mas estamos no topo da escadinha de primos, e ela é a mais perto de mim de idade, por isso, seria natural uma relação de proximidade, e foi isso que aconteceu mesmo.

Me lembro da gente na casa da minha vó, desde muito pequenas, e principalmente depois que meu vô morreu, eu tinha acabado de completar 7 anos, e a Quê só tinha 5, e rolou toda uma preocupação dos filhos em não deixar que minha vó ficasse muito tempo sozinha, por conta disso eu recebi a incumbência de dormir lá quase todos os finais de semana, e a Quê ia pra lá pra dormir quinzenalmente. A gente desenhava e fazia “croquis” de modelos para uma loja imaginária, brincava de Barbie, Moranguinho, Chuquinha (e outras bonecas típicas dos anos 80), traquinava muitíssimo, ia à missa com a minha vó (pois é!), raspava a tigela do bolo e a panela da polenta – e ainda ajudava ralando cenoura e queijo. Isso sem falar nas inúmeras caminhadas até a granja junto com a minha vó, para comprar o frango fresquinho pro almoço de domingo, e as outras tantas idas até a Teixeira. Sem falar nas vezes que dormíamos na casa da minha tia Eliana, que era o mundo dos sonhos de qualquer menina, uma vez que ela era fissurada por rosa e tudo lá era rosa: telefone, cama, guarda-roupa, estante, qualquer item de decoração. A gente queria ser Eliana quando crescesse – hahaha – até imitávamos o jeito sexy dela de falar “alôan!” ao telefone.

Além de tudo isso, tínhamos uma paixão em comum (que não era muito habitual nas crianças): os livros. E o nosso mundo era quase perfeito, uma vez que a mãe da Quê trabalhava em biblioteca. O que mais da vida a gente podia querer? Me lembro de umas férias, quando a gente tinha por volta de uns 10 anos, em que fizemos uma competição de quem lia mais livros, lembro que alcançamos a marca de 28, e não era qualquer livrinho não, era uns calhamaços de Monteiro Lobato, tipo A História do Mundo para Crianças. Metade das férias foram passadas na minha casa e metade na casa dela, e a gente ia pra biblioteca todos os dias. Participamos até de um tal de Projeto Curumim, uma iniciativa da prefeitura com o SESC. Uma das férias mais legais que eu me lembro de ter passado. Foi mais ou menos nessa época que acompanhamos a gravidez da minha tia Eliana, quando ela estava esperando o Kim. A gente confabulava, se seria homem ou mulher – vale um adendo de trauma infantil, envolvendo a Quê e a minha tia Eliana: nunca me conformei de não ter sido daminha da minha tia no casamento ao lado da Quelany, eu tinha 8 anos e fui considerada velha e descartada. :(

Já na adolescência, continuávamos muito próximas, tivemos uma viagem de carro icônica para a Bahia, onde aconteceu um pouco de tudo: a primeira fratura da Quelany (graças ao Taygoara), um quase-afogamento-duplo meu e do Taygoara, eu e ela paquerando os vizinhos do prédio da frente (que eram feios pra dedéu no fim das contas – ahahaha), guerra de travesseiro (com travesseiro voando pela janela e tudo mais), confecção de diários e agendas, bullying generalizado com o Taygoara (ainda que na época ninguém falasse que era bullying – hahaha) – que voltou de lá taxado como apaixonado pelo Netinho (aquele do ‘Ô, Miiiiiila’). Isso sem falar na fita k-7 do Skank que tocava em looping eterno no som do carro, e a gente aproveitava para coreografas “Jack Tequila”, “O Beijo e a Reza” entre outras (e ainda tirar sarro do Taygoara que cantava “aonde você vai Sam? Vou ali depois do milho”). Passada a viagem, eu comecei a fazer ballet no Paula Castro e praticamente morava nas Perdizes, por conta disso a gente ainda se vida de vez em quando durante a semana. Até que ela acabou se mudando pro Ipiranga, e com isso a distância física acabou nos afastando, porque juntou com época de vestibular meu, depois época de vestibular dela, e vidas que seguem caminhos diferentes.

Hoje em dia, já adultas e balzacas, temos nos reaproximado nos últimos anos, já que passamos a ser quase vizinhas e ainda conseguimos arrumar maridos com o mesmo nome (mas o meu Thiago tem H e o dela não – hehehe), e temos mantido um contato constante, seja em almoços familiares ou via redes sociais. Temos vários gostos parecidos (musicais e cinematográficos), ideias quase iguais e juntas clamamos por um mundo melhor (desde sempre, basta prestar atenção na foto do meio, e ver que há um adesivinho de Lula, concorrendo pela primeira vez pra presidente em 1989 – juro que existe uma foto onde estamos fazendo um L com os dedos, mas essa eu não tenho digitalizada – hehehe) e espero que a gente continue traçando nossos caminhos uma fazendo parte da vida da outra. Hoje – acho que tecnicamente já é ontem – é aniversário dela e é o dia exato pra eu externar o tanto de coisa legal que eu desejo pra ela e do quanto eu fico feliz pelas suas trajetória (como pessoa e como profissional) e o quanto eu admiro o seu trabalho. A Quê é uma vencedora e é uma pessoa que merece muita coisa bacana nessa vida. E eu tô sempre aqui na torcida, vibrando a cada nova conquista e com muito orgulho de ser sua prima. Feliz aniversário, Quê! Com todo o meu carinho… ;)

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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2 respostas a Minha primeira amiga

  1. Que post lindo Tayra, fiquei emocionada com o carinho que você tem por sua prima.
    Não tem nada melhor na vida do que estas lembranças deliciosas com alguém tão próximo.
    Felicidades para ela, que tem a sorte de ter esta prima que a ama desde sempre.
    Beijos
    Sil

  2. Pingback: Desejo do dia: Tetris Link | Teia de Renda

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