Virando a página

sadness

Desde ontem eu ando meio jururu, pensando na vida e triste com as constatações. Fim de ano batendo na porta, hora de fazer um balanço das coisas, do mundo, das pessoas e nem tudo tem saldo positivo. Tava aqui refletindo sobre o quanto o retorno que tenho de certas pessoas é totalmente diferente daquilo que eu dou, do que ofereço. Isso me entristece muito, em certos casos me dececpciona, mesmo eu sabendo que não devia. Dá uma certa impressão de que sou invisível para alguns.

Uma vez, tendo uma conversa com a Rachel Juraski, que é pisciana, do mesmo dia que eu, estava falando com ela sobre o quanto estava decepcionada com fulano, ciclano, beltrano e mengano por conta do que haviam feito em determinada ocasião, e ela me falou algo que eu tento aplicar diariamente, mas nem sempre consigo: “você não deve se decepcionar, porque nem são eles que estão fazendo menos do que deveriam, é a gente que espera demais dos outros”. E concluí que ela estava dizendo uma grande verdade. Porque eu sou daquelas que tá disponível pras pessoas a qualquer momento, que nunca diz não, que abro mão de coisas pra mim para poder dar aos outros, e acho natural esperar isso dos outros. Foi dessa maneira que fui criada e foi assim que aprendi. Mas ano após ano eu venho quebrando a cara e vendo que muitíssimo poucas pessoas assim o são.

Eu já me afastei de muita gente que era bem próxima de mim por conta desses desapontamentos ao longo da vida. Acredito que o tempo todos fazemos escolhas e tem escolhas que acabam nos afastando de gente que pensávamos que eram pessoas especiais e que faziam a diferença pra gente, mas que na hora do pega pra capar, a gente vê que era só mais um. Tenho dois casos que me doem até hoje, de ter tomado punhalada nas costas de gente que eu acreditava e trazia sempre perto de mim, uma em 1996, outra em 2010. O segundo caso, eu sendo mais velha, mais compreensiva, tentei contornar a coisa, enxergar com outros olhos a situação, sentar com a pessoa e resolver, mas não teve jeito mesmo, ouve um total descaso e falta de vontade de solucionar os problemas do outro lado, aí eu também não tenho muito o que fazer…

Em 2012 percebi muita gente próxima foi se distanciando, provando dia após dia que tá pouco se importando comigo, que mesmo eu sendo considerada próxima da boca pra fora, na prática eu não era nada além de só mais um. O pior, pra essas pessoas, é que as velhas desculpas deixam de colar, porque dão uma desculpa esfarrapada pra algo que fizeram, enquanto compartilham em redes sociais provas de que aquilo era apenas uma desculpa esfarrapada mesmo. Por isso que, nesse momento de fim de ano, de balanço, de renovar o que foi bom e descartar o que foi ruim, estou decidida a virar a página para tanta gente que insiste em não fazer mais parte da minha vida. O que não dá é pra eu passar a minha vida toda me importando com quem não dá a mínima pra mim. Dói, muito, mas é o tipo de dor necessária, para que cure e não faça algo doer mais tempo do que o necessário. É triste, mas é a vida que segue, mesmo que seja sem um ou outro.

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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4 respostas a Virando a página

  1. Anne diz:

    Nossa! Fiquei boba com esse texto! Me sinto exatamente assim e isso durante a vida inteira. E eu estou bem desse jeito, me afastando das pessoas, mas acredito que não espero demais delas. A maioria não sabe valorizar mesmo, eu gostaria ao menos que fosse recíproco e nem isso =(

  2. ó. vim comentar só pra dizer que: sem comentários. #entrelinhas. amor e beijos e feliz 2013!

  3. Tayra, entendo que a amizade é um amor a fundo perdido. Porque nós só sabemos como é a amizade que sentimos e nos é impossível saber o que o outro sente. Assim, é até normal nos entristecermos quando descobrimos que não somos entendidos, por exemplo, quando alertamos um amigo de uma atitude que não gostamos, que precisa ser corrigida. Quasse todos acham que não somos mais amigos porque notamos “defeitos” e acham que amigos tem que aguentar todos os defeitos.
    Mas não é assim. A essência de ser amigo é doar-se, querer o bem e a felicidade do outro e pra isso as vezes precisamos nos adaptar, mudar um isso ou um aquilo pra mermos melhores pessoas. E o mundo todo lucra quando nos melhoramos, não é?
    Mas nossa imperfeita carência nos faz desejar também sermos amados, do jeito que amamos (e que as vezes pode ser melhor) e por isso nos entristecermos, mas pode chamar esta tristeza de decepção se quiser.
    Doe sua amizade. Doação é doação, depois que a gente dá, já não é mais nossa. Será bom pra você e pros outros. Seja feliz!

  4. Pingback: Recarregando as energias | Teia de Renda

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