Em luto profundo…

direitos humanos

Toda vez que ouço alguém dizer que direitos humanos só deveriam servir para “humanos direitos”, eu tenho vontade de esfregar a cara dessa pessoa no asfalto. Juro, me sobe o sangue. Mas aí eu paro, respiro, penso e sinto pena, da pessoa e de uma sociedade que cunhou pessoas com valores tão distorcidos e com tão pouco respeito pelo que é feito com a vida humana por esse mundo afora.

Hoje eu tô doída, mortificada, sem saber como pode, como é possível, como deixam uma pessoa tão asquerosa, retrógrada, preconceituosa, fundamentalista, tacanha e ainda por cima analfabeta funcional como o deputado Marco Feliciano assumir uma comissão que deve zelar por cada um de nós e, principalmente, pelas minorias que são sistematicamente perseguidas nesse país que adora fingir que não tem racismo e diversos outros tipos de preconceito.

Somos um país imenso, uma nação continental, com uma formação negra, onde a imensa maioria da população, ainda que negue, carrega o sangue do povo africano em suas veias. Um país que acha um absurdo um casal gay andar de mãos dadas na rua. Gente que não sabe reconhecer o amor, seja lá em que forma que ela se apresente e que quer defender a instituição familiar. Eu sempre aprendi que o cerne da família é o amor, então não entendo alguém defender a família e repudiar o amor.

Eu me sinto muito triste, perplexa, envergonhada, até mesmo traída, por saber que um ser humano com esse tipo de pensamento esteja à frente daquilo que há de mais sério num país que tem um apartheid velado, em que polícia sempre persegue primeiro o negro, mesmo antes de saber se ele tem culpa. Um país que tá se reerguendo de uma ditadura que durou oficialmente 21 anos, mas que permaneceu encoberta por mais uma década pelos governos Sarney e Collo-Itamar, e que se revelou muito pouco nos governos FHC. Há muito pouco tempo o Brasil tem começado a avançar substancialmente na questão dos Direitos Humanos e aí damos um passo desses atrás? Chega a ser grotesco. Parece que voltamos 100 anos no tempo e que assume uma pessoa com uma visão digna de 1913.

Me sinto triste, ultrajada e em luto pelos Direitos Humanos no Brasil. :(

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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3 respostas a Em luto profundo…

  1. ines diz:

    o q me choca mais nessa história toda é q ele FOI ELEITO, quer dizer existem pessoas q votam nele. Sabe as pessoas escolheram ele pra representa-las, não entra na minha cabeça, quer dizer os eleitores dele devem ser as as mesmas pessoas q falam q no Brasil não existe racismo , que as feministas não deviam mais existir (e as que existem são ~feminazis~ e vêem machismo em tudo), e que diz que não é homofóbico, mas credo esses 2 caras precisam demonstrar afeto em público aff… triste Tay, muito triste…

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