:'(

tristeza

– Importa-se se eu lhe perguntar se já foi casado? – indaguei

– É claro que não. Fui casado sim, mas minha mulher morreu há alguns anos. Vou ao cemitério todo fim de semana, mas não levo flores. E não falo nada. — Deu um suspiro e soou muito sincero. De verdade – Gosto de pensar que fiz isso o bastante enquanto ela era viva, sabe?

Assenti.

– Não adianta nada, depois que a pessoa morre. Isso é para fazer quando as pessoas estão juntas, ainda vivas.

(…)

– E o que você faz quando fica lá junto à sepultura? – perguntei.

Ele sorriu.

– Fico lembrando. Só isso.

(Página 29 – A garota que eu quero – Markus Zusak)

Outro dia eu tava conversando com a Suelen sobre esse trecho de um dos livros que li ao longo deste ano, e ela comentou que foi esse o mesmo ensinamento que tirou de A Culpa é das Estrelas. O livro de Zusak mexeu comigo, assim como o filme mexeu com a Su, e fez com que repensássemos as relações e o quanto é importante demonstrarmos aqui, agora, o tamanho do nosso afeto pelas pessoas que nos são caras.

Era quase meia-noite quando recebi uma ligação da minha mãe, me dando a notícia do falecimento do meu tio Hélio. Fiquei chocada com a notícia inesperada e estava até agora digerindo a informação, relembrando quantos momentos especiais vivemos juntos e o quanto ele era uma das melhores pessoas que tive o prazer de conhecer nesta vida. Amoroso, amigo, solidário, carinhoso. Acho que ele era a verdadeira personificação da palavra bonachão.

Decididamente tenho muita sorte por meu caminho ter cruzado com o desta pessoa iluminada, com um alto-astral contagiante e que fazia nossa vida ser melhor com a sua simples presença.

Era ele quem comandava os churrascos na fazenda, que botava a criançada pra pilar paçoca, que acudia a gente quando subíamos alto demais na árvore e depois tínhamos medo de descer, que levava a gente pra nadar no riacho, que acompanhava até o curral pra pegar leite fresquinho, tirado da vaca. Era também dono de um dos abraços mais calorosos de que se tem notícia. Ele sempre foi um paizão, tiozão, vozão, desses babões, coruja, apaixonado pela criançada que o cercava.

Acho que não só eu, como boa parte de quem conviveu com ele, não sofremos com o problema de deixar de demonstrar o amor e carinho que sentíamos por ele, pois ele sempre foi uma pessoa tão amorosa, que era impossível não retribuir e deixar isso patente. Escrevo isso com lágrimas nos olhos, já por saber que quando eu for a Guará ou Cachoeira não serei mais recebida pelo seu sorriso e seu abraço. Mas sei que tenho sorte por ter contado com essa presença tão especial na minha vida.

A Bia comentou comigo que leu uma matéria no começo do ano, dizendo que em 2014 seria um ano de perda de grandes pessoas, pois era um ano de renovação e logo viria uma safra de pessoas iluminadas, reencarnações destas que partem este ano. E vendo o tanto de gente fantástica que tem nos deixado, me conforta acreditar que isso seja verdade e que em breve a humanidade seja brindada com a presença destes seres iluminados.
Tio Hélio, faz tão pouco tempo que você partiu e já está fazendo tanta falta. Tanta… A saudade vai ser tão grande quanto o amor e carinho que eu sinto por você.

PS: Procurei por aqui uma foto pra ilustrar o post, mas acho que a maioria estão todas na casa da minha mãe… :(

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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