O sangue que corre em minhas veias é nobre. Completamente verde…

Amor, paixão, devoção, fanatismo, nenhuma destas coisas tem a ver com sensatez. Nenhuma delas são simples de serem explicadas, porém todas são bons temas de inspiração e rendem excelentes músicas, poesias, quadros, filmes…

Desde que me entendo por gente, ouço as pessoas me questionando o porquê de eu ser palmeirense. Oras, como se uma coisa dessas devesse ter muita explicação!!! Ok, meu pai é palmeirense e isso teve grande influência, é inegável, mas venhamos e convenhamos, ele nunca foi um cara muuuuuuito ligado a futebol (lá em casa eu sou disparado a que gosta mais e a que mais acompanhou a trajetória do meu Verdão – ainda que hoje não acompanhe tanto quanto gostaria). Fora isso nada mais levava meu coração a virar verde, isto porque o mundo ao meu redor era todo corintiano. Nasci logo após o fim da longa fila do Corinthians, e um pouco antes do início da fantástica Democracia Corintiana, numa época em que o Corinthians tinha um time sensacional (no campo e fora dele) e que toda a família da minha mãe e a da minha babá tentavam me converter ao corintianismo. Não faltaram camisas e itens do arqui-rival do time que eu tinha escolhido. Mas nenhuma dessas empreitadas rendeu frutos, eu continuava firme e fiel ao time que meu pai me ensinou a amar e provava que desde bem pequena, nunca tive vocação pra ser vira-casaca.

E desde que me entendo por gente, me habituei a responder à pergunta: “você torce pro Palmeiras? Por que, se você nunca viu seu time ganhar nada?”. Mas gente, que raios de amor é esse que as pessoas imaginam? Que amor interesseiro é esse em que as pessoa se baseiam? Só amo se ganha e se não ganha viro as costas? Mas e aquele papo católico de “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…”, onde se encaixa nessa história toda? Amo, amo muito e torço, mesmo não tendo ganhado nada, ué! Me habituei a ser olhada como um E.T., um bichinho estranho, acuado, encolhido. Sempre era a única palmeirense da sala. Juro, nos anos 80 era mais fácil encontrar criança santista (hahahaha – juro!) do que palmeirense. E assim foi até aquele maravilhoso domingo, 12 de junho de 1993. E aí tudo mudou na minha vida, e Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, Daniel Frasson, Edmundo, Evair, Zinho e Edilson foram os responsáveis por essa mudança.

Palmeirense

De repente, da noite pro dia, nós, bravos palestrinos, devotos da Cruz de Savóia, que aguentamos honradamente e solitários aos 16 anos de fila, nos vimos cercados por milhares de novos palmeirenses empolgados com aquele timaço papador de títulos que a Parmalat nos deu. E foram dois anos seguidos de ininterruptas alegrias, dando um respiro pros rivais em 95, só pra não ficar chato e retomando com chave de ouro em 96, com o maior e melhor time que já vi jogar na minha vida (Messi, so sorry, você não tem noção do que era aquele ataque dos 100 gols do meu time).

O resto da década de 90 foi todo sensacional, vieram Copa do Brasil, Mercosul, Libertadores… Ser palmeirense virou um sinônimo de ser feliz, e entramos no século XXI com um legado sensacional, a nossa história tinha a Academia, um time que trocou de camisa e vestiu a Amarelinha pra entrar em campo (sim, o Palmeiras todo entrou em campo como Seleção Brasileira – isso é só pra quem pode) e viramos o Campeão do Século.

Mas quem foi que disse que vida de palmeirense é fácil?! O século XXI chegou pra botar a prova todo o nosso amor, e levar de uma só vez todos esses néo-porcos que só querem glórias e não sabem amar na agrura, no sofrimento e, mais uma vez, só os fortes sobreviveram. E em 2002, apesar de ter o sensacional São Marcos, goleiro pentacampeão do mundo, fomos afundando, afundando, afundando e indo parar na série B no ano seguinte. Os rivais se refastelaram, debocharam, riram, mas apesar de todo o sofrimento, sabíamos que aquela era apenas uma provação ao nosso verdadeiro amor. E em 2003 mostramos qual era o nosso real lugar, e vencendo a série B, voltamos à elite do futebol no ano seguinte. Porém, dez anos depois da primeira grande frustração, foi a hora de cair mais uma vez, e ainda assim, nosso amor seguiu inabalável.

Em julho de 2010, tava eu lá na despedida do meu amado Palestra e agora estou acompanhando o passo-a-passo da construção do estádio mais lindo do Brasil (não adianta chorar, nem derrubar forninho, porque o estádio é master top e pra vocês, rivais, sobra só beijinho no ombro – hehehehe) e estou aqui pra ver um time que sabe ir da lanterna ao topo da tabela e que tem a torcida mais apaixonada e disposta a aguentar perrengue deste Brasil. Nós que estamos no hino, mostrando que somos a torcida que canta e vibra sempre e que seguiremos ao seu lado, pra todo e qualquer lugar, com este imenso amor alvi-verde, que não se importa com filas ou divisões.

Nunca vou ter palavras pra agradecer ao meu pai por ter me legado esse amor pelo meu Verdão. E agora que estou encerrando este texto, deu meia-noite e começou aqui um foguetório lindo (por sorte moro a poucas quadras de solo sagrado). Parabéns, meu Palmeiras!!!! Que venham mais 100 anos, de vitórias, glórias, e também de agruras e dissabores (pra gente dar mais valor aos bons momentos), e que você saiba que nosso amor por você segue inabalável! <3

Por isso não me canso de dizer: “Ê, ê, Palmeiras minha vida é você”.

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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