‪#‎stopthebeautymadness

Tudo isso começou como um post no Facebook, mas foi ficando tão grande que achei melhor trazer o post pra cá. ;)

O texto da Lia que compartilhei no Facebook me fez repensar a respeito disto tudo, que é algo que vem me permeando nos últimos quatro anos. E aí que eu vi a galera entrando com força nessa brincadeira, uma convocando a outra e tal e coisa, e mesmo não tendo sido convocada por ninguém – pelo motivo óbvio de que eu sou zero montada pra abrir mão da maquiagem (hahaha) – resolvi deixar meu tostãozinho a respeito de toda esta paranóia em torno da beleza e da imagem “perfeita”.

Eu sou, de longe, a menos vaidosa das minhas amigas. Isso desde sempre, nunca fui muito ligada nesse ou naquele creme maravilhoso pra isto, naquela máscara fantástica para aquilo. Minha maquiagem é, basicamente, um corretivo e um batom bem cor de boca, de vez em quando um rímel e um batom mais puxando pro pink. Essa é minha realidade mesmo e quem me conhece sabe disso.

Mesmo pro cabelo, é uma hidratação esporádica, a cada mês e meio, no máximo compro um shampoo que sei que funcionou bem no meu cabelo e é isso. Cosmético, aqui em casa, em geral ou acaba indo pro lixo porque venceu, ou dou pra Francisca justamente quando vejo que falta um mês pra vencer – hihihi.

Vivo tomando bronca da minha mãe, que diz que aos 35 anos já tinha toda uma rotina “cremística” para evitar rugas e ressecamento da pele e tal e coisa. Até já tentei gente, mas não é mesmo comigo.

Tay de cara limpa

Por isso, pra mim, fazer o ‪#‎stopthebeautymadness‬ sem maquiagem foi muito tranquilo, porque é quase a minha realidade. Claro que aí vocês vão ver as olheiras bem mais evidentes e uma ou outra marquinha que o corretivo – aquele lindo – me ajuda a disfarçar. Mas, bem, isso é ter 35 anos, né!

Anteontem compartilhei o texto da Lia e já cansei de falar sobre o assunto, seja aqui, no Twitter ou no meu Facebook, mas nunca é demais bater numa tecla que parece que as pessoas insistem em não ouvir a nota. Já fui magrinha, já fui a gostosona da galera e por incrível que pareça, minha auto-estima era um lixo, sempre me achei gorda, feia, com esta e aquela imperfeição e só fui conseguir ter uma boa visão de mim mesma por volta de 2010, passada dos 30 anos de idade, uns bons tantos de quilos acima do meu peso, mas, pela primeira vez na vida me amando.

Se eu disser aqui que não quero emagrecer, estarei mentindo. Porém, eu não me privo de ser feliz em nome de uma magreza que alguém inventou que é padrão de beleza. Eu quero é ser feliz, ter uma vida saudável e viver bem comigo mesma – estar bonita para mim. Fiz várias escolhas nos últimos tempos, diminui consideravelmente a ingestão de carne vermelha, desde 2012 não tomo mais refrigerante, quase não como frituras, mas isso em nome de um estilo de vida melhor, de ingerir coisas que me façam bem e nunca em nome de redução de calorias.

Pra mim o ‪#‎stopthebeautymadness‬ tem que passar por tantos outros fatores que apenas o abdicar da maquiagem, é uma análise profunda de o quanto as pessoas tem entregado sua felicidade e sua aparência na mão dos outros. Tantas meninas com lindos cabelos crespos e cacheados entupindo-os de química porque alguém inventou que o legal é ter cabelo liso. Ou as amigas que afinaram horrores a sobrancelha nos anos 90, porque assim que era legal, e hoje em dia se matam pra ter sobrancelha grossa que é o padrão atual.. E aí as pessoas esquecem de se olhar como são, de se enxergar e de se acharem bonitas da maneira que são e pirando na batatinha pra se enquadrar num padrão muito louco.

Já me perguntaram várias vezes se por ter sido bailarina eu tive algum distúrbio alimentar e, por sorte, nunca tive, até porque tinha um metabolismo muito bom e acelerado cultivado com muito exercício feito desde que me entendo por gente – e que entrou em colapso quando saiu dum ritmo de cerca de 9 horas diárias de exercício pra zero. Porém eu sempre tive distúrbio de imagem – se é que isso existe. Eu me olhava no espelho e me via gorda. Nas bodas dos meus pais, meu vestido foi comprado na José Paulino, tamanho PP e eu tive que mandar apartar, e ainda assim, eu me achava gorda. Vejo as fotos hoje em dia, meu braço era uma coisa tão fina que parecia uma lombriga, e eu me achando gorda. E ainda tinha um namorado e uma família que estimulava essa paranóia.

Olhem essas fotos: são da fase em que eu estava no auge de me achar imensa de gorda.

Olhem essas fotos: são da fase em que eu estava no auge de me achar imensa de gorda.

Hoje vejo que minha família (tanto a minha de sangue, quando a do Thiago) e alguns amigos, se importam muito mais com meu peso, com a imagem que a sociedade faz de mim por eu ser gorda do que eu. Eu estou bem, estou feliz, me acho bonita, me amo e me sinto amada. O que mais posso querer dessa vida?!

Mas algo que demorei mais de trinta anos pra aprender é que nada pode ser tão nocivo pra você mesma que deixar alguém determinar como você deve ser, qual aparência teve ter, de que maneira deve se vestir. Você tem que estar bem para você. Seu cabelo, sua pele,seus defeitinhos, isso tudo é parte do que você é.

Eu sou essa Tayra de nariz de batata fora dos padrões que estabelecem como nariz bonito, e que é a coisa que mais gosto em mim. Sou a Tayra que hoje em dia é gorda e que ainda assim consegue se olhar no espelho e se amar – e olha, se Botticelli, Velázquez e Botero viram beleza na mulher gorda, quem é você pra me apontar o dedo e dizer que sou feia por estar em sobre-peso?! E sou a Tayra que é vesga – estrabismo ocasionado por uma leitura precoce e o desconhecimento de uma hipermetropia que forçou demais minha vista e aos 4 anos resultou num super estrabismo e que foi aliviado com muito uso de óculos (dos quatro aos dez anos, ele era meu companheiro constante). A hipermetropia ficou “curada” até bem recentemente, quando ao 32 precisei voltar a usar óculos, porque o oculista me alertou que se eu usasse pouco o computador e lesse pouco, talvez eu nunca tivesse que voltar a usar, mas como este não é o meu caso, óculos “nimim”.

E acima de tudo, sou esta Tayra, imperfeita, com muitos traços próprios, frutos de muita miscigenação e que fazem de mim essa mistura tão única. Tenho minha beleza, que é construída em cima de diversos defeitos, e aprender a me amar com todos esses defeitos é que é um verdadeiro grito de basta a essa paranóia da beleza. ;)

Só pra finalizar com uma frase da pobre-coitada da Clarice Lispector, grande musa do Facebook a quem é atribuído tudo quanto é tipo de balela que alguém cria e quer ver propagada, mas prometo (e garanto) que essa frase é mesmo dela:

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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Uma resposta a ‪#‎stopthebeautymadness

  1. Como não te amar? Post lindo!

    Essa sua foto para o #‎stopthebeautymadness tá linda demais, maquiagem nenhuma faz falta. Eu sou igualzinha você…

    Para a maioria das mulheres é raro estar sem maquiagem e eu sou o contrário, raro é quando estou maquiada. E mesmo assim é só lápis, máscara para cílios, blush, batom e de vez em quando BB cream.

    Acredito muito que ficamos paranoicas com nosso corpo e rosto mais por causa dos outros do que por nós mesmas. É sempre uma cobrança para “estar dentro dos padrões impostos pela sociedade”.

    Eu já sofri demais, deixei de aproveitar muito a minha adolescência por ser magrela, oriental e não ter nada de peito. Vivia escondida atrás de jeans e camisetas largos.

    Quando passei a não me importar mais é que comecei a me arrumar e vestir o que gosto. Quanto tempo perdido…. Teria sido mais feliz se tivesse sempre essa mentalidade.

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