Marcas na pele

Eu já falei antes no blog sobre minhas tatuagens aqui, aqui e aqui, até porque, quando comecei o blog, eu só tinha as duas primeiras e fiz muita questão de partilhar a terceira – que até hoje é a mais emblemática de significados da minha vida (e por isso mesmo, ainda é a minha predileta). E tenho tido por meta fazer uma nova tatuagem por ano – ideias eu tenho mais de 50 (hehehe), aí vou pinçando uma e outra e escolhendo as que mais me tocam para serem feitas com mais prioridade. Uma das que mais quero, vai ser no braço, na parte do muque e pra essa eu queria emagrecer (algo já semi-feito) e portanto, deve sair agora em 2016. Mas o fato é que só em 2015 eu fiz três novas tattoos e nem compartilhei por aqui, assim como acho que não compartilhei a de 2014 e 2013.

Por isso, achei que era uma boa hora para fazer um novo post sobre aquilo que decidi marcar na minha pele. Vamos falar sobre elas? ;)

Primeira – Estrelas

estrelinhas

A primeira, feita em fevereiro de 2005… Sempre ficamos naquela expectativa, impasse, e a única coisa que eu tinha certeza é de que eu queria fazer uma estrela. Isso porque eu sempre fui a louca das estrelas. Era largar um papel e caneta na minha mão e lá tava eu enchendo o dito-cujo de estrelinhas para tudo quanto é lado. Desde 2001, quando pensei em fazer uma tatuagem junto com a Carol, a ideia é de que seria uma estrela. Aí o Rafinha, que é primo de uma grande amiga minha, era tatuador e acabei indo um dia pra casa dele, antes de sairmos pra balada, aquelas tintas olhando pra mim, eu olhando pra elas e pronto, vou fazer minha tatuagem. Desenhei 3 estrelinhas, eu mesma, dei pra ele e pedi que pintasse uma de vermelho, outra de azul e outra de amarelo. Ele ainda insistiu pra eu pegar uma estrela de catálogo, que ficaria mais retinha e tal, mas eu insisti para que ele fizesse as minhas mesmo, porque elas seriam únicas e eu queria elas mesmo. Hoje, 11 anos depois, a única coisa que eu mudaria, é que eu não as teria colorido. Ia deixá-las só com o contorno mesmo. Garrei amor por tatuagem sem cor. Mas enfim…

Segunda – Tay e Thi

Tay & Thi

Dois meses depois da primeira tatuagem e um mês depois de começar a namorar com o Thi, no dia 10 de abril de 2005, lá fomos nós, marcar nossas alianças definitivas. Esta também foi feita pelo Rafinha, embora ele ficasse incomodado com o nosso pouco tempo de namoro e tentasse nos convencer a não fazer, ou no máximo a fazer apenas um T (já que os dois tinham inicial com T, em caso de fim de relacionamento, o arrependimento seria menor). Mas enfim, batemos o pé e fizemos cada um o “nome” do outro no pulso esquerdo. Contei aqui a história com mais detalhes, mas enfim, três anos e meio depois, essa foto aí de cima foi a que ilustrou nosso convite de casamento. <3

Terceira – Expecto Patronum

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A primeira tatuagem do Denys feita na minha pele e a responsável por eu me apaixonar pelo traço dele. Essa é a minha tatuagem favorita e mais importante e significativa pra mim. Já contei mais sobre ela em outros posts por isso nem vou me alongar muito, mas ela é o meu marco de libertação da depressão. E é ela também a minha tatuagem que eu mais vejo, porque é no ante-braço direito, e estou sempre de olho nela: enquanto escrevo, digito, dirijo. Ela sempre me faz lembrar do que superei e do quanto estou disposta a não deixar os dementadores tomarem conta de mim. Essa foi feita em 24 de julho de 2010, dia da formatura da Laila, com mais de 5 anos de hiato entre a segunda.

HP

J.K. soube entrar lindamente na minha vida, conseguiu me tragar para o mundo de Harry Potter e me fez ser encantada por este universo criado por ela. E por tudo que ela, como autora brilhante e ser político agente, representa e expressa, eu sabia que tinha que demonstrar esse meu laço ao mundo. Mas eu sempre tenho um revirado involuntário de olhos quando as pessoas pensam que esta é pura e simplesmente uma tatuagem de fã de Harry Potter. Porque ela é sim uma tatuagem de fã, mas é algo muito além disso. E é muito mais íntimo, importante e significativo. Obrigada J.K. por tudo e por manter sempre os dementadores longe de mim.

Quarta – botão ON/OFF

ONOFF

Esta foi feita para responder à pergunta que eu mais ouvi ao longo da minha infância e adolescência: “onde é que fica o botão pra te desligar?”. E pronto, agora eu tenho resposta pra isso na hora. Mais uma do Denys. Foi a tatuagem de 2012.

Quinta – Änïmä

anima

Denys em ação de novo, ele meio que já virou meu tatuador oficial, das minhas nove tatuagens, tenho quatro feitas por ele. Änïmä além de ser uma das minhas músicas favoritas de Milton Nascimento é também a porção feminina da alma. Amo essa tattoo, que foi feita sem nenhum molde, apenas com a letra do Denys. Esta foi a feita em 2013.

Sexta – Mafalda

mafalda

Minha tatuagem internacional. Esta foi feita em abril de 2014, na primeira parada da Volta ao Mundo do Thi. Como ele saiu de Buenos Aires, eu o acompanhei nesta primeira parada e lá decidi marcar a Musinha em mim. E nada mais porteño do que vir com esta linda menininha contestadora, obra do genial Quino na minha perna. Sou apaixonada por ela. E também adoro esta foto da gaze que tirei no dia seguinte. É que quando fui fazer a minha tattoo, já era fim de dia e estavam fechando o estúdio. Aí no dia seguinte teria o Paro General (uma greve geral que é realmente geral e nada abre), e o próximo dia era o dia do meu embarque às 16h. Marquei a tatuagem para as 10h, primeiro horário deles, terminamos umas 11h10, e eu saí correndo pro hotel, pra pegar minha bagagem, fazer check-out e ir pro aeroporto, já que eu tinha que chegar 2h antes. Ou seja, foi uma correria só, e eu corri (de verdade) os oito quarteirões que separavam o estúdio do hotel. No aeroporto também dei uma corridinha básica, aí fiz o check-in e fui pro meu portão de embarque (que era beeeeeem longe). Quando cheguei lá, eu ouvia um blosh, blosh, blosh. Quando fui olhar, o magipack colocado pelo tatuador estava lotado de sangue. Como a tatuagem era na perna, e eu andei muito, forcei muito a região e a bichinha se manifestou e começou a sangrar bastante. Procurei uma farmácia, mas não tinha nada, só o free shop. Fiquei com medo de falar com alguém da TAM e me impedirem de embarcar por estar sangrando. Aí coloquei a perna pra cima e fiquei quieta no meu canto. Embarquei meio mancando (porque esta hora a perna já tava doendo) e fiquei quieta durante as 2h de voo. Chegando aqui no Brasil, pedi pro meu pai parar numa farmácia, comprei gaze, esparadrapo e bepantol. Lavei tudo muito bem, apliquei uma camadinha de pomada e fiz um curativo, e aí, no dia seguinte, a gaze saiu assim. Hehehehe…

A tattoo foi feita no Downtown Tattoo Studio e no fim de 2014 acabou entrando na Mostra de comemoração pelos 50 anos da Mafalda. Fiquei super feliz em saber. Os tatuadores e a curadora da mostra entraram em contato comigo pra saber se eu autorizava e lógico que dei meu aval. Pena que na última ida a BAS não consegui passar por lá pra conferir a mostra – que é permanente. Esta foi a minha tatuagem de 2014. :)

Sétima – 5, 6, 7, 8…

5, 6, 7, 8...

Eu acho que as minhas tatuagens acabam refletindo um pouco do que eu sou, e aí eu me questionava do fato de não ter nada que representasse a dança. Ao mesmo tempo, eu tenho muitas ressalvas em relação a tatuagens de bailarina, isso porque, toda pessoa que eu vejo que tem tatuagens de ballet/bailarina – sim, 100% dos casos – são podres, tortas, não dançam nada, e aí tatuam pra tentar convencerem a si mesmas de que são bailarinas de fato. E aí, acrescente o fato de que 95% destas tatuagens serem MUITO feias e mal-feitas. Por conta disso eu ficava protelando fazer essa tatuagem. Mas ela teria que existir para me traduzir.

Pensei muito e acabei resolvendo fazer o mantra inicial de toda bailarina: 5, 6, 7, 8… E acrescentei uma marcação de passos de dança. Resolvido. Fui ao Rio, tentei marcar com o Denys, mas ele só estaria no Banzai depois que eu já tivesse voltado a São Paulo. Por isso, acabei marcando com outro tatuador e lá fui eu. Morrendo de medo, porque todo mundo fala que tatuagem no pé dói horrores. E gente, dói sim, dói. Mas nem perto do inferno na Terra que todos pintaram para mim. Foi bem sussa e razoavelmente rápido. Achei que ficou lindinha. Obra do Rômulo, lá da Banzai também. Foi a primeira tatuagem de 2015.

Oitava – São Francisco

São Francisco

A pele do pé se regenera muito e rápido, por conta disso, já tinham me alertado que é das tatuagens menos duráveis, e embora todos tatuadores recomendem retoques nos primeiros meses, eu nunca tinha feito um. Porém, a do pé ficou desgastada em poucos meses e senti necessidade deste retoque. Marquei o dito-cujo numa ida ao Rio, e como já tava lá mesmo, porque não fazer uma tattoo novinha, né? Aí, assim que o Rômulo acabou de retocar o 5, 6, 7, 8… eu já pedi pra ele fazer um Chiquinho no meu pescoço. E eu fiquei simplesmente apaixonada. Enlouquecida. Virou meu segundo xodó, depois do Expecto Patronum, mas com um porém: não consigo vê-la nem pelo espelho. :'(

Só posso admirá-la por fotos. Mas ela ficou muito lindinha. E com ela, levo todo o meu amor e minha admiração por São Francisco de Assis junto comigo pra sempre. Segunda tatuagem de 2015.

Nona – Ubuntu

Ubuntu

E pra fechar o ano de 2015, temos a mais nova do hall, foi feita em dezembro de 2015. Eu já queria fazer há um certo tempo, mas como as últimas vezes que fui ao Rio, só calhou de eu desencontrar do Denys e eu fazia questão de que fosse com a letra dele, fui protelando. Porque, como ela ficaria na mesma posição, porém no lado oposto da Änïmä, queria que fosse feita com a mesma letra.

Agora quando fui pra despedir da Vanessoca, consegui agendar um horário com ele e eis que a tattoo enfim saiu. Ubuntu é uma palavra/ideologia que vem do zulu e xhosa – línguas de origem bantu – e em resumo bem resumidinho é como diria Tom Jobim “é impossível ser feliz sozinho”. A filosofia de Ubuntu prega a pessoa como parte de um todo, e não é perfeitamente traduzível, mas é algo na linha de “eu sou o que sou pelo que somos todos nós”. E eu, como crente na humanidade que sou e que acredito que ninguém é nada sozinho, acho lindíssima essa filosofia de Ubuntu e por isso, há muito tempo, queria levá-la comigo para tudo quanto é canto. <3

Agora prometo que as próximas tatuagens eu vou relatando a medida que forem sendo feitas. ;)

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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4 respostas a Marcas na pele

  1. Cris diz:

    adorei conhecer as histórias e aprender coisas..pessoalmente não gosto de tattoo mas as suas são bem lindinhas…valeu

  2. ines diz:

    a do pé eu não sabia é amei *_*
    ai quero tantas… falta espaço hahahaha pq só quero imensas

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