Sobre o pacto de homens com homens

machismo

Este texto não é meu, chegou até mim pelo Facebook, e acredito que seja da autoria de Lia Vainer Schucman. Resolvi compartilhar aqui porque sabemos o quanto as coisas do Facebook se perdem, ou são “ocultas” das linhas do tempo com o passar dos dias, semanas, meses. E achei a reflexão profunda e importante demais para que se perdesse assim… Por isso, compartilho aqui e convido a todos a refletirem a respeito.

Sobre o pacto de homens com homens

Eu tinha 9 anos quando os meninos da minha classe de aula entraram todos juntos no banheiro com uma régua. Um deles saiu vermelho, de cabeça baixa e os olhos cheios de lágrimas. Nunca mais o encontrei. E ele nunca mais foi à escola. Depois, chegou aos meus ouvidos, que aquele dia os meninos tinham ido medir o tamanho de seus pênis e o dele era o menor.

Alguns anos mais tarde as paqueras começaram a acontecer e eu ouvia do meu irmão “não saia com ele, ele é escroto”, “aquele é um horror”, “fulano nem pensar”. Eu atribuía estas falas do meu irmão ao ciúmes, mas depois entendi que ele conhecia aqueles rapazes entre rapazes, enquanto eu conhecia aqueles rapazes entre mulheres. Lembro de uma situação em que o mesmo rapaz que sorria com um papo doce para mim entrou no banheiro e disse “já ganhei aquela buceta”. Esta era a frase que meu irmão ouviu. O que quer dizer isto? Que ele era falso quando falava comigo? Não sei. Mas tenho certeza que ele se comportava como tantos outros: macho entre machos.

Falando sobre machos entre machos, lembro de um dia que um amigo chegou na casa de outro amigo triste porque a “mina dele” tinha saído com outro cara. O amigo tentando “consolar” soltou uma frase assim “pô, mas você não sabia que mulher gostosa é que nem melancia ninguém come sozinho”, enquanto o outro completa: “você vai ficar mal por causa de mulher? O que não falta é – faz o gesto de um triângulo com a mão – no mundo”.
Escrevo estes 3 episódios para exemplificar o quão “pesada” é a socialização de homens com homens. Provavelmente o menino da escola lembra daquele episódio até os dias de hoje. O cara do banheiro continua chamando as mulheres de buceta. E talvez o menino que chorava pela mulher nunca mais tenha conseguido expressar seus sentimentos. E 97% das violências sofridas pelos homens são de homens para homens (polícia, jogo de futebol, assalto, etc.).

Escrevo isto pois existe uma parte (a maior) da luta anti-machista que cabe a nós mulheres, mas há outra parte que cabe a vocês homens.

Quebre o pacto entre homens:

• Quando algum colega seu reduzir alguma mulher ao termo buceta, olhe para o lado e diga o quão ridículo é isto;

• Quando algum homem quiser chorar do seu lado não ridicularize;

• Não fale para seu filho: homem que é homem não chora;

• Quando seu colega de infância ou atual te disser que é gay, não se afaste;

• Nunca, mas nunca faça piada sobre gays. E ainda, não dê risada delas.

Aprendam a humanizar-se entre vocês, e todos ganharão com isto.

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Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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Uma resposta a Sobre o pacto de homens com homens

  1. cristininhajorge88 diz:

    sensacional..é bem por aí

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