Precisamos falar sobre machismo

estupro columbia

Sim, precisamos e muito. Precisamos do feminismo e falar sobre. Sim e muito.

O lance do estrupro coletivo da Beatriz esta semana me deixou muito triste, revoltada, desgostosa com o mundo, com muito menos fé na humanidade. Não tive nem vontade de falar sobre, porque me corroía por dentro, porém, aproveitei pra fazer a louca do compartilhamento, uma vez que muita gente escreveu bastante coisa boa sobre.

A Ana de Cesaro postou um vídeo incrível: O seu “Nem todos os homens” não serve pra nada, que eu preciso muito compartilhar com vocês.

 

E a Sophia escreveu um textão maravilhoso, que eu aproveito pra colar aqui:

E é por tudo isso que a gente não pode se calar de maneira nenhuma. A gente tem é mesmo que dar a cara tapa. Gritar aos quatro ventos e se fazer ouvir. A luta é árdua, mas profundamente necessária. Não dá pra fingir que não é com a gente.

Beatriz, eu queria poder estar do seu lado, te dar um abraço pra tentar confortar o inconfortável. Mais do que tudo, queria poder fazer o tempo voltar pra que você não tivesse que passar por nada disso. Mas isso é impossível! Por isso, vou em empenhar ao lado de tantas outras mulheres e homens pra fazer com que cada um dos responsáveis seja preso e apodreça na cadeia, que cada monstro que compartilhou e aplaudiu seja punido como couber e que esse tipo de coisa e cultura não se perpetue.

Em tempo, a imagem que ilustra o post é da estudante Emma Sulkowicz, que em 2014 fez um protesto, carregando por meses um colchão para chamar a atenção do alto escalão da Universidade de Columbia para o estupro que sofreu no campus – e diante do qual não foi tomada nenhuma providência. Quem tiver interesse, pode ler mais sobre o caso aqui (está em inglês). Esse é um triste lembrete de que não há lugar no mundo plenamente seguro pra nós mulheres. Não há! Não é uma questão de ser primeiro, segundo ou terceiro mundo. Não é questão de classe social, não é questão de religião ou de falta dela. Não há nada fora o simples fato de que no decorrer dos milênios os homens sempre se viram como superiores a nós, e assim se impuseram. De todas as maneiras, eles sempre tentam nos rebaixar, nos colocar “no nosso lugar”, mostrar quem é que manda, quem tem a força.

Infelizmente é muito triste constatar que 100% das mulheres que eu conheço já sofreu algum tipo de abuso. Sim, todas. T-O-D-A-S!!!! De menor ou maior grau, todas foram assediadas, e subjugadas pelo simples fato de terem os cromossomos XX. Mais infelizmente ainda, conheço casos mais pesados, de assédio brabo, colocando em risco o emprego e a integridade física das assediadas. E mais infelizmente e desoladoramente ainda, eu conheço três casos de estupro – e eu tenho certeza de pelo menos mais uns cinco casos, dos quais o estuprador é o próprio marido e/ou namorado (mas aí as próprias vítimas entendem que ela não tava a fim, mas é direito do companheiro querer sexo quando bem entende e que isso não é considerado estupro – embora seja sim – é apenas ser obrigada a fazer sexo quando não está com vontade).

Se a gente parar pra ouvir, com certeza sua amiga, sua prima, sua irmã, sua namorada ou esposa vai ter uma história triste pra te contar, do quanto sentiu medo pelo simples fato de ser mulher, de quantas vezes foi acuada. O pior de tudo é saber do quanto essas vítimas são desrespeitadas quando resolvem prestar queixa. E é por tudo isso que a gente não pode ficar quieta não. Dá vontade de chorar, dá vontade de vomitar, dá vontade de se encolher no canto em posição fetal, dá vontade de parar de viver e dá vontade de se calar, pra que esse dor e vergonha passem logo. Mas é justamente isso que eles querem. Que a gente fique calada e finja que nada aconteceu. E é exatamente isso que a gente não pode fazer. A gente tem que fazer barulho. Muito!!! Sempre!!! Até que tudo isso acabe!!! Porque somos todas Beatriz!!! Somos todas vítimas!!!! E não podemos e nem vamos deixar barato!!!!

98/366

Sobre Tayra

"Eu não aceito o que se faz Negar a luz, fingindo que é paz A vida é hoje, o sol é sempre Se já conheço eu quero é mais"
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